Alca pode prejudicar pequenas e médias empresas

As médias e pequenas empresas (MPEs) não estão preparadas para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Esta é a conclusão dos representantes do setor durante um fórum no qual foi discutido o desafio que esse segmento enfrentará com a Alca, prevista para se iniciar em janeiro de 2006. As negociações devem ser concluídas em dezembro de 2004 e, em 2005, os Congressos dos 34 países envolvidos no projeto terão de ratificar o acordo."Não somos contra a Alca. O problema é que não estamos preparados", disse Manuel Henrique Maria Ramos, vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio). Para ele, a Alca não será um processo de integração, mas de dominação. "Não há de fato um plano B ou proposta para as pequenas e médias empresas", alertou Amâncio Jorge de Oliveira, consultor da Prospectiva - Consultoria Brasileira de Assuntos Internacionais e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais (Nupri), da USP.?Não há espaço específico?Ele foi categórico ao afirmar que não existe na Alca espaço específico para esse segmento de mercado. "A participação das pequenas e médias empresas no processo de negociação é muito restrita", explicou Oliveira para mais de uma centena de empresários durante o evento organizado nesta quinta-feira pelo Sebrae-SP.Em contrapartida, disse ele, a TPA (Trade Promotion Authority), mandato negociador concedido pelo Congresso norte-americano à Casa Branca, tem um capítulo específico para defender os interesses das pequenas e médias empresas norte-americanas. "Essa será uma das grandes falhas e carências do Brasil nas futuras negociações", alertou o consultor.Oliveira disse, por exemplo, que esse segmento nos Estados Unidos elevou em 300% suas exportações nos últimos cinco anos. Hoje, participam de 31% do total exportado pelo país.Falta proteçãoO secretário da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Kjeld Jacobsen, concorda: "o Brasil ainda não está preparado e não tem competitividade suficiente para disputar mercado com as empresas norte-americanas." O sindicalista disse que os EUA têm uma legislação específica sobre dumping que protege as empresas norte-americanas. "Se os EUA protegem suas empresas por meio dessas leis, como então competir com eles?"

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