Alca traz mais riscos que benefícios, avalia Fiesp

Depois de dois anos de pesquisas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nesta quinta-feira um estudo em que comprova que a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) representa mais riscos do que oportunidades para o Brasil.De acordo com o estudo, o País já entra em desvantagem na negociação pela falta de financiamento às exportações e por apresentar uma das cargas tributárias mais elevadas e os piores índices de tecnologia e infra-estrutura entre todos os países vão integrar a Alca.Além disso, o Brasil exporta mais produtos com menos demanda ou demanda em queda no mercaco mundial e com menor conteúdo tecnológico. Numa simulação extrema, em que as atuais tarifas de importação seriam todas rebaixadas a zero, a Fiesp conclui que o Brasil seria o maior perdedor com o acordo.Levando em conta dados de 1999, o estudo indica que o déficit comercial do País na região de livre comércio aumentaria de US$ 2,035 bilhões para US$ 4,260 bilhões, o equivalente a uma perda de US$ 2,225 bilhões por ano. Já os Estados Unidos teriam o maior ganho, com um acréscimo de US$ 2,6 bilhões ao saldo comercial.O México perderia US$ 600 milhões por ano, enquanto o Canadá e a Argentina seriam ganhadores líquidos com o acordo. "Os empresários brasileiros apenas agora estão acordando para enfrentar esse bicho chamado Alca. Ou nos preparamos ou seremos levados de roldão e vamos entrar já perdendo de cara", alertou o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva.Há cerca de duas semanas, ele apresentou o estudo ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, e ao ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer. Agora, Piva quer discutir o assunto com os diversos segmentos.O estudo da Fiesp mostra que, mesmo se todas as tarifas de importação fossem zeradas, 49,49% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, Canadá e México, que hoje compõem o Acordo de Livre Comércio para a América do Norte (Nafta), ainda seriam afetados por barreiras não-tarifárias. Produtos como aço, calçados e suco de laranja, por exemplo, enfrentam nesses países barreiras como cotas e ações antidumping.As pesquisas realizadas pela Fiesp mostraram que o Brasil está menos preparado para fazer a defesa comercial de seus produtos. Enquanto o pessoal que atua em defesa comercial nos Estados Unidos chegou a 16.320 pessoas em 2001, o País tinha apenas 62 funcionários tratando do mesmo assunto. Só de orçamento público para promoção comercial (feiras, missões, rodas de negócios, pesquisa de mercado), o governo dos Estados Unidos desembolsou US$ 305,4 bilhões em 1999 ante apenas US$ 29,2 bilhões pelo Brasil.O presidente da Fiesp fez questão de ressaltar ainda que, enquanto o Brasil destinou apenas US$ 3,85 bilhões em linhas oficiais de financiamento à exportação em 1999, o México gastou R$ 5,52 bilhões, e o Canadá US$ 6,06 bilhões. Nos Estados Unidos, o Eximbank destinou ao menos US$ 10,13 bilhões para financiamento de crédito à exportação.

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