Alcan negocia com Embraer fornecimento de alumínio

A canadense Alcan, uma das maiores produtoras de alumínio do mundo, está negociando o fornecimento de alumínio especial para a Embraer. Quirino de Giuseppe, diretor de Marketing da Alcan do Brasil, diz que não há nenhum constrangimento na relação comercial com a principal rival da também canadense Bombardier, apesar da disputa que as duas empresas da indústria aeronáutica travam junto à Organização Mundial do Comércio.Giuseppe define a Alcan como uma multinacional com sede no Canadá e que o fato de ser do mesmo país de origem da Bombardier, que não é sua cliente, não interfere nos negócios.O diretor informou que a Alcan do Brasil está "em uma luta para fornecer alumínio à Embraer". De acordo com ele, o alumínio usado nos aviões é especial, com ligas de altíssima dureza, e não é ainda fabricado no Brasil. "Estamos desenvolvendo capacidade para fabricar estas ligas", disse o executivo. Ele informou que a empresa possui a tecnologia necessária, mas não tem ainda uma planta adequada para fabricar este tipo de produto.A Alcan tem operações independentes em 38 países e está há 60 anos no Brasil. A empresa reduziu a sua produção de alumínio primário no Brasil em 25% por conta do racionamento de energia elétrica. Com o fim do programa, a estimativa é de que volte aos patamares anteriores a junho do ano passado em cerca de quatro meses. "O processo de religamento tem de ser feito aos poucos e vamos recuperar a produção gradativamente", explicou Giuseppe. Segundo ele, tudo o que deixou de ser produzido em alumínio primário não foi exportado e agora, com o aumento, a produção voltará a ser destinada às exportações?.Segundo o executivo, não há risco de a Alcan do Brasil ter perdido mercado internacional por conta do racionamento, já que o alumínio primário é uma commodity. Giuseppe prevê que o aumento da produção também não deve afetar o preço do produto, por se tratar de um volume pequeno em relação ao mercado internacional e porque espera-se uma recuperação do nível mundial de consumo por conta de um reaquecimento econômico na América do Norte, na Europa e no Japão. A empresa está investindo US$ 90 milhões em quatro usinas hidrelétricas para geração própria.A empresa prepara também, para o segundo trimestre deste ano, o lançamento nos supermercados brasileiros de latas para embalagem de alimentos feitas em alumínio. Os enlatados são geralmente feitas em folhas de flandres, que usa o aço como matéria-prima. O principal fornecer no Brasil do produto é a Companhia Siderúrgica Nacional.

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