Alcides Tápias e Antonio Hermann vão assumir comando do banco BMG

Família Pentagna Guimarães decide profissionalizar o banco, que está envolvido no escândalo do mensalão, cinco meses após a associação com o Itaú Unibanco 

David Friedlander, de O Estado de S. Paulo,

23 de novembro de 2012 | 20h59

A família Pentagna Guimarães, dona do BMG, está deixando o comando do banco. Ela já contratou dois novos chefes para a instituição. Alcides Tápias, que foi executivo do Bradesco e da Camargo Corrêa e ministro do Desenvolvimento do governo Fernando Henrique Cardoso, será presidente do conselho de administração no lugar do patriarca Flávio Pentagna Guimarães. Já Ricardo Guimarães, filho de Flávio, passa a presidência executiva para Antonio Hermann, que tem mais de 30 anos de mercado financeiro. O anúncio será feito nesta segunda-feira.

Os Pentagna Guimarães decidiram profissionalizar o BMG, envolvido o escândalo do mensalão, cinco meses após a associação com o Itaú Unibanco para a criação de um novo banco, focado na concessão de crédito consignado. São movimentos para fazer frente à crise que afeta os bancos de pequeno e médio porte, segmento em que o BMG é o de maior projeção.

Essas instituições estão fragilizadas por conta de um modelo de negócios que, segundo especialistas, estaria esgotado. Sem redes de agências, esses bancos precisam levantar dinheiro com investidores ou vender suas carteiras de crédito com deságio para grandes bancos. A associação com o Itaú cria uma fonte segura de financiamento, e a contratação de dois executivos tarimbados pretende reforçar a credibilidade do BMG. "Depois da associação, chegamos à conclusão de que este era o momento adequado", diz Ricardo Guimarães.

Antonio Hermann vai tocar o dia a dia do BMG - que continua a existir como banco, independente da parceria com o Itaú. A instituição, 18ª no ranking brasileiro, terá 30% do novo banco, batizado de Itaú BMG Consignado. Em escala bem menor, o BMG também faz financiamento de veículos e trabalha com crédito ao consumidor. A partir de segunda-feira, a nova equipe começa a discutir como ficará o modelo de negócios e os nichos em que a instituição deverá apostar.

Condenações na Justiça

Os dois executivos negam que a profissionalização do banco esteja ligada a problemas recentes dos controladores do BMG com a Justiça. Em outubro, a Justiça Federal em Minas Gerais condenou Flávio e Ricardo Guimarães, um executivo do banco e um ex-diretor por crimes contra o sistema financeiro num processo relacionado ao caso do mensalão - decisão que eles esperam derrubar em instâncias superiores.

Embora não sejam réus no processo do Supremo Tribunal Federal, temia-se no mercado que o relacionamento com o PT e com as empresas de Marcos Valério pudesse empurrar o BMG para uma crise de imagem e, portanto, de credibilidade. "A associação com o Itaú e a boa aceitação dos bônus do banco no exterior mostram que não há problema de imagem", afirma Hermann. "A discussão sobre a profissionalização começou muito antes das condenações em Minas, que, aliás, não são definitivas", disse Tápias.

Negócios

Sócios numa empresa de consultoria, Tápias e Hermann estiveram por trás da associação do Itaú Unibanco com o BMG, em julho. Meses antes, durante uma das crises de liquidez que afetou os bancos de médio e pequeno porte, o pessoal do BMG procurou os dois e pediu ajuda para vender carteiras de crédito para bancos maiores - uma forma de levantar receita para conceder novos empréstimos.

Apresentada ao Itaú, a proposta deu origem a uma negociação mais ampla. "O Itaú, que já tinha comprado carteiras do BMG antes e gostou das operações, desta vez mostrou interesse numa parceria para operar com consignado", diz Tápias.

O BMG é líder nesse tipo de empréstimo entre os bancos privados - no ranking geral, só perde para o Banco do Brasil. Era o que o Itaú precisava para cortar caminho e crescer no mercado de consignado. Naquele momento, a família Pentagna Guimarães discutia a venda do BMG com o Bradesco e com o BTG Pactual. Optaram pelo Itaú, porque a operação não envolvia a venda do controle do banco da família.

No novo banco, Itaú BMG Consignado, o primeiro tem participação de 70% e a família Pentagna Guimarães os outros 30%. "Esses 30% da parceria serão bem maiores do que os 100% que o BMG tinha sozinho", diz Hermann, que vai presidir uma instituição que administra mais de R$ 23 bilhões em ativos, tem uma carteira de crédito total de R$ 27 bilhões e produtos oferecidos em mais de 3,2 mil pontos de venda. 

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