Alcides Tápias e Antonio Hermann vão assumir comando do banco BMG

A família Pentagna Guimarães, dona do BMG, está deixando o comando do banco. Ela já contratou dois novos chefes para a instituição: Alcides Tápias, que foi executivo do Bradesco e da Camargo Corrêa e ministro do Desenvolvimento do governo Fernando Henrique, será presidente do conselho de administração no lugar do patriarca Flávio Pentagna Guimarães. Ricardo Guimarães, filho de Flávio, passa a presidência executiva para Antonio Hermann, que tem mais de 30 anos de mercado financeiro. O anúncio será na segunda-feira.

DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h05

Banqueiros há 80 anos, os Pentagna Guimarães decidiram profissionalizar o BMG cinco meses após a associação com o Itaú Unibanco para a criação de um novo banco, focado na concessão de crédito consignado. São movimentos para fazer frente à crise que afeta os bancos de pequeno e médio porte, segmento em que o BMG é o de maior projeção.

Essas instituições estão fragilizadas por conta de um modelo de negócios que, segundo especialistas, estaria esgotado. Sem redes de agências, esses bancos precisam levantar dinheiro com investidores ou vender suas carteiras de crédito com deságio para grandes bancos. A associação com o Itaú cria uma fonte segura de financiamento, e a contratação de dois executivos tarimbados pretende reforçar a credibilidade do BMG. "Depois da associação, chegamos à conclusão de que este era o momento adequado", diz Ricardo Guimarães.

Tápias e Hermann negam que a profissionalização do banco esteja ligada a problemas recentes dos controladores do BMG com a Justiça. Em outubro, a Justiça Federal em Minas Gerais condenou Flávio e Ricardo Guimarães, um executivo do banco e um ex-diretor por crimes contra o sistema financeiro num processo relacionado ao caso do mensalão - decisão que eles esperam derrubar em instâncias superiores.

Embora não sejam réus no processo do Supremo Tribunal Federal, temia-se no mercado que o relacionamento com o PT e com as empresas de Marcos Valério pudesse empurrar o BMG para uma crise de imagem e, portanto, de credibilidade. "A associação com o Itaú e a boa aceitação dos bônus do banco no exterior mostram que não há problema de imagem", afirma Hermann. "A discussão sobre a profissionalização começou muito antes das condenações em Minas, que, aliás, não são definitivas", diz Tápias.

Antonio Hermann vai tocar o dia a dia do BMG - que continua a existir como banco, independente da parceria com o Itaú. A instituição, 18.ª no ranking brasileiro, terá 30% do novo banco, batizado de Itaú BMG Consignado. Em escala bem menor, o BMG também faz financiamento de veículos e trabalha com crédito ao consumidor. A partir de segunda-feira, a nova equipe começa a discutir como ficará o modelo de negócios e os nichos em que a instituição deverá apostar.

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