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Alcoa define o substituto de Alain Belda

Desde 1999 no comando mundial da Alcoa, brasileiro estaria deixando a companhia antes do planejado

PATRÍCIA CANÇADO E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O presidente mundial da Alcoa, Alain Belda, 64 anos, um dos executivos brasileiros que foram mais longe na carreira internacional, será substituído pelo ex-CEO da Siemens, Klaus Kleinfeld, após 40 anos ininterruptos na companhia. Marroquino naturalizado brasileiro, Belda estava no comando da segunda maior fabricante de alumínio há oito anos.A informação foi oficializada ontem, mas o porta-voz da companhia, Kevin Lowery, não disse quando ocorrerá a sucessão. Kleinfeld, que ocupava uma cadeira no Conselho da Alcoa desde 2003, entrará para a empresa em outubro. "O Conselho vê a escolha de Klaus como parte de uma transição comum. Nós ainda não discutimos as datas", disse Lowery, esquivando-se de comentários de que Belda não sairia antes do próximo ano. Embora com idade suficiente para se aposentar, analistas internacionais disseram que o executivo não tinha planos de deixar a companhia no momento. Em entrevista ao Estado (leia ao lado), Belda nega. "A maioria das empresas multinacionais tem aposentadoria compulsória para quem tem entre 60 e 65 anos. Isso pode ou não ser o caso dele", diz o headhunter Luiz Alberto Panelli, sócio da Panelli, Motta Cabrera e Associados.O executivo estaria sob forte pressão dos acionistas desde que a Alcoa falhou ao tentar adquirir a rival canadense Alcan, em maio deste ano, por meio de uma oferta hostil de US$ 27,7 bilhões. As conversas entre as duas empresas vinham ocorrendo nos últimos dois anos. A aposta de Belda, considerada exagerada por alguns dos acionistas, tinha como objetivo recuperar a liderança no mercado mundial - perdida no começo deste ano para a russa Rusal - e combater o crescimento vertiginoso de fabricantes de mercados emergentes.Não é de hoje que os americanos vêm torcendo o nariz para o estilo e as atitudes de Belda, um executivo com fama de ousado e polêmico. No passado recente, a transferência de altos executivos de Pittsburgh para Nova York, onde o brasileiro mora, e a promoção do irmão (Ricardo) a um alto cargo de supervisão das operações européias da Alcoa foram motivo de críticas na imprensa. A aceitação de um "cucaracho" (como Belda costuma se definir) numa empresa centenária e tipicamente americana nunca foi fácil. Ele era freqüentemente comparado ao seu antecessor, o aclamado Paul O?Neill, ex-Secretário do Tesouro de George W. Bush e responsável por elevar a receita da Alcoa de US$ 8 bilhões para US$ 23 bilhões em 13 anos de gestão. Certa vez, em reportagem do The Wall Street Journal, um ex-diretor chegou a recriminá-lo por fazer caminhadas com o "torso cabeludo" à mostra.Belda chegou ao topo da companhia pelo bom trabalho feito no Brasil, sobretudo na década de 80, quando triplicou a produção de alumínio. Como número dois, abaixo de O?Neill, o executivo foi responsável por derrubar a taxa de acidentes da multinacional.

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