Álcool e nacionalização reduzem conversões de veículos para GNV

A conversão de veículos leves para o uso de gás natural veicular (GNV) somou 21.525 unidades em maio, com queda de 28% em relação a abril, segundo dados do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás Natural (IBP). Para o coordenador do Comitê de GNV do IBP, Rosali Fernandes, esse movimento "é natural" em maio, mas ele admite que as discussões referentes ao gás da Bolívia assustaram o consumidor, reduzindo as conversões. "Em maio, há uma queda natural, especialmente devido a entrada de nova safra de álcool no mercado. Mas este ano houve o componente adicional com a nacionalização do gás natural na Bolívia e toda a discussão que a medida gerou", disse Fernandes à Agência Estado.Ele observou que, em relação a maio do ano passado, a queda foi em torno de 2%. Em março e abril deste ano as conversões ficaram em torno de 25 mil mensais. Segundo Fernandes, com a entrada da nova safra de álcool há uma queda natural nos preços desse combustível, especialmente em São Paulo, o que reduz a atratividade das conversões. "O outro problema é o mercado informal, em que os preços são ainda mais baixos", reclamou. Segundo ele, apesar dos esforços do governo para reduzir o comércio ilegal de álcool, ainda há muita informalidade no comércio varejista. "Esse é um problema nacional, que teremos de equacionar", comentou. Fernandes prevê que o movimento de conversões tende a continuar no nível acima de 20 mil veículos por mês até agosto, quando a frota nacional atingirá cerca de 1,2 milhão de automóveis. Esse número corresponde a menos de 5% da frota nacional, que Fernandes estima em 27 milhões de veículos leves. "Na Argentina, o número de carros que usam GNV soma 1,5 milhão para uma frota de 9 milhões de veículos", ilustra.PromoçõesO consumo de GNV também registrou queda de 1,16% em relação a maio do ano passado, oscilando em torno de 6 milhões de metros cúbicos diários (144 mil metros cúbicos por posto). Com a queda nas conversões, algumas distribuidoras adotaram uma política agressiva de venda de GNV, especialmente no Rio de Janeiro, que responde por 54% da frota nacional de veículos à gás. Em alguns postos é possível encontrar o GNV por até R$ 0,80 por metro cúbico, quando em maio o preço mais comum estava em torno de R$ 1,20 por metro cúbico.Pelos dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do metro cúbico do GNV na semana passada no Rio estava em torno de R$ 1,11. Pelos dados do IBP, os custos do GNV correspondiam a 48% dos preços dos veículos movidos à gasolina, em maio, e a 82% dos custos do álcool hidratado, considerando as diferenças de preços e o rendimento de cada combustível.

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