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Álcool já é vendido abaixo de R$ 1,00 em São Paulo

Postos de combustíveis, distribuidoras e usinas dizem que a sonegação explica o preço tão baixo

Márcia De Chiara e Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O preço do álcool ao consumidor já está abaixo de R$ 1,00 no Estado de São Paulo. Ontem,num posto de combustível na Marginal Tietê, o litro de álcool era anunciado por R$ 0,99. Pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) revela que o menor preço nos postos de combustíveis do Estado foi de R$ 0,899 o litro, na semana encerrada no sábado. É a menor cotação ao consumidor no País.São Paulo também lidera o ranking de menor preço mínimo entre as distribuidoras do combustível. De acordo com a mesma pesquisa da ANP, a cotação do litro do produto encerrou a semana passada em R$ 0,71 nas distribuidorasO preço do álcool no Estado contrasta com as cotações mínimas nos postos de combustíveis do restante do País, que variaram de R$ 1,21 a R$ 2,15 na semana passada, segundo a ANP. Representantes dos produtores de álcool, das distribuidoras e dos postos são unânimes em afirmar que a volta da sonegação é o único fator que explica o preço do litro de álcool abaixo de R$ 1,00.O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouvêa, afirma que a venda de álcool por valores abaixo de R$ 1 tem grandes possibilidades de embutir sonegação de combustíveis."O álcool é comprado pelos postos por um preço médio de R$ 1 por litro, com mínimas de R$ 0,96 em períodos de grande competição. Não é possível vender o produto por R$ 0,99." Ele explica que a margem média de lucro de um posto se situa entre R$ 0,24 a R$ 0,27 por litro. "Só sonegando é possível chegar a esse preço, porque com R$ 0,99 o litro não dá para cobrir os custos", afirma o vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alisio Vaz.Ele argumenta que não há hoje fatores de oferta e demanda que explicariam uma queda abrupta de R$ 0,25 por litro de álcool em apenas uma semana e que os preços ao produtor estão estabilizados na faixa de R$ 0,59 nas últimas quatro semanas. Segundo o executivo, a sonegação pode ocorrer entre as distribuidoras e atravessadores, que vendem o álcool diretamente aos postos.Vaz acrescenta que há também o efeito da concorrência, que dá mais força à sonegação. É que, quando um estabelecimento reduz o preço, o outro, levado pela competição, acaba cortando as cotações também. "Não é bom soltar fogos com essa distorção, que leva à outra e abre caminho para a adulteração do produto."O vice-presidente do Sindicom diz que tinha informações, algumas semanas atrás, de que o álcool estava sendo vendido abaixo de R$1,00 no interior do Estado de São Paulo. "Era algo localizado nas regiões de Ribeirão Preto e Campinas." Mas, agora, já chegou à capital paulista, o maior mercado consumidor do País.USINASDo lado da produção, não há razões para que o preço do álcool fique abaixo de R$ 1,00 para o consumidor. Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), diz o preço ao produtor se mantém estável nas últimas semanas e não há fatores de oferta e demanda que justificariam a queda. Segundo ele, há muita sonegação no mercado de álcool.

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