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Álcool rende mais aos postos do que gasolina

A venda de um litro de álcool hidratado ou o correspondente em gás natural veicular (GNV) rende mais a um posto do que a comercialização de gasolina ou óleo diesel. Pelo menos é o que aponta pesquisa de preços divulgada semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A margem de diferença entre o valor na distribuidora e o da bomba de combustível, que corresponde a 16% do preço final da gasolina, chega a ser de 33% no caso do álcool e de 70% no preço final do GNV, considerando os valores médios apurados pela ANP no País.No estado de São Paulo, maior produtor de álcool, a diferença entre a margem cobrada sobre o álcool e a gasolina é um pouco menor. Segundo a pesquisa da ANP, a margem sobre o litro de gasolina é de R$ 0,26 ou 13%, enquanto no álcool, a margem é de 23%. No caso do GNV no estado de São Paulo, a margem é de R$ 0,34 por metro cúbico, ou 43% do preço final. Segundo a União da Agroindústria Canavieira (Unica) apesar da diferença menor no estado, "as revendas têm aumentado suas margens". Usando como base de cálculo os dados das pesquisas semanais da ANP, a entidade, que reúne cerca de 300 usinas da região Centro-Sul do País, revelou que em janeiro a margem entre o preço da distribuidora e o da revenda aumentou mais com relação à venda de álcool do que de gasolina. A margem em janeiro era de 20% no preço médio nacional do álcool, ante 13% do preço final da gasolina e de 64% no GNV. DistorçõesA pesquisa da ANP foi contestada pela Federação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Fecombustíveis). Segundo o porta-voz da entidade, Roberto Shneider, há "distorções na apuração". Entre essas distorções, ele citou o fato de a ANP considerar a margem de diferença nos preços, sem especificar quanto fica para a revenda, quanto para a distribuição e ainda quanto é destinado ao frete para transporte do produto. "Os postos têm uma margem bruta - que não considera seus gastos com pessoal, instalações e pagamentos de impostos municipais, entre outras despesas - que não ultrapassa os 10%. A concorrência entre os postos não permite margem maior", afirmou. Segundo ele, só no ano passado pelo menos mil postos não aguentaram a concorrência e foram à falência. "Quem consegue praticar margens menores pode estar sonegando impostos ou adulterando o teor do combustível", disse. A ANP informou que "existem distorções na apuração dos preços na bomba na época dos aumentos repassados pela Petrobras, mas isso não está relacionado à metodologia da pesquisa". Segundo técnica da agência, a distorção ocorre porque, com a liberação do mercado, o revendedor pode repassar o reajuste para a bomba de combustível, assim que ele é anunciado. Com isso, a pesquisa capta o aumento na bomba, mas só consegue verificá-lo na distribuição quando o revendedor vai repor seu estoque. "A tendência é de que haja nas semanas seguintes ao aumento repassado pela Petrobras uma acomodação nas margens", disse ela. No caso do álcool, essa acomodação tende a demorar mais por causa dos volumes menores movimentados pelos postos. "O revendedor pode repassar um aumento de imediato, mas se estiver com estoques elevados só pagará por este reajuste meses depois."

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