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Álcool venderá mais do que gasolina

Segundo estudo da FGV, alta do petróleo e popularização dos carros flex mudarão situação atual antes de 2010

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2016 | 00h00

A popularização dos veículos flex vai provocar uma revolução na matriz brasileira de combustíveis nos próximos anos. A expectativa é de que a quantidade mensal de álcool vendida nos postos ultrapasse a da gasolina antes de 2010, um fato inédito em todo o mundo, revela estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Projetos), que inicia amplo trabalho sobre os fundamentos econômicos do setor sucroalcooleiro no Brasil.As previsões tomam por base a escalada do preço do barril de petróleo no mercado internacional (que na semana passada ultrapassou pela primeira vez US$ 80 em Nova York) e o aumento das vendas de carros bicombustíveis, que já representam 12% do mercado brasileiro. Somando os carros movidos a álcool, esse porcentual sobe para 40%, destaca o professor Fernando Blumenschein, coordenador do trabalho sobre etanol. Até agosto, 84,9% dos carros vendidos no mercado doméstico eram flex, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).Além disso, diz o professor, as preocupações com o aquecimento global devem estimular o consumo maior de álcool tanto no Brasil quanto no exterior. A previsão é de que o movimento seja acompanhado por uma tendência de alta dos preços do combustível, especialmente se o mercado internacional acelerar os projetos de uso do etanol em suas frotas de veículos.Para Blumenschein, a corrida mundial pelo produto deve-se tanto pela questão ambiental quanto pela diversificação da matriz energética, já que representa uma proteção contra flutuações nos mercados de petróleo e de câmbio. Segundo o estudo, vários países estão investindo pesado em álcool, como Estados Unidos, França e Japão.No Brasil, cuja indústria está muito à frente do resto do mundo, os negócios estão em ebulição. Todos querem pegar a "onda verde" e abocanhar uma fatia desse milionário setor, cujas previsões são positivas. A maioria dos Estados vai aumentar a área plantada de cana, de acordo com o 2º levantamento de safra 2007/2008 feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comparado com a safra anterior. Serão 760 mil novos hectares de cana-de-açúcar plantada, com produção de 547 milhões de toneladas - 15,2% superior à safra 2006/2007. Do total, 473 milhões de toneladas serão destinados à indústria sucroalcooleira, sendo 53% para produção de álcool e 46,92%, açúcar.Em São Paulo, maior produtor nacional, a safra atingirá 318 milhões de toneladas de cana, crescimento de 11,8%. A expansão da área plantada saltará de 3,29 milhões de hectares para 3,65 milhões de hectares. No Paraná, onde será colhida a segunda maior safra do País, a previsão é de aumento de 34,3% na produção, para 45 milhões de toneladas de cana. O superintendente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias, afirma que há nove projetos de usinas na região. Só neste ano entraram em operação duas novas unidades, o que elevou para 29 o número de indústrias no Estado. Ele destaca que as novas plantas só podem ser construídas acima do Paralelo 24, no norte do Paraná, por causa das restrições climáticas. No sul do Estado, diz ele, há riscos de geadas, o que prejudicaria a produção. O executivo garante que a expansão ocorrerá em áreas de pastagem, semidegradada.Em Minas Gerais, o presidente dos sindicatos do Açúcar e do Álcool do Estado (Siamig/Sindaçúcar), Luiz Custódio Cotta, afirma que a expansão tem ocupado tanto áreas de pastagem quanto da soja. A expectativa, diz ele, é de que até 2012 o Estado alcance 52 usinas e produção de 84 milhões de toneladas de cana. Esse aumento será decorrente de investimentos da ordem de US$ 3 bilhões.Boa parte das novas plantas está localizada no Triângulo Mineiro, região que tem atraído um número grande de investidores por causa das condições topográficas e clima. Hoje a região já responde por mais de 70% da produção mineira e deve elevar ainda mais essa participação com a chegada de grandes grupos paulistas, como Moema, Vale do Rosário, Crystalsev e Balbo, entre outros.Até mesmo o Nordeste, que viveu momentos de paralisia na produção de cana, tem conseguido reanimar sua indústria. A expectativa é de que a produção aumente 14% na próxima safra, com destaque para a Bahia. O Estado vai elevar em 76% sua produção, para 6,25 milhões de toneladas. Parte desse aumento deve-se aos investimentos feitos pela Agrovale, no Vale do São Francisco.A empresa deve moer na próxima safra cerca de 1,5 milhão de toneladas, sendo metade destinada ao álcool e metade ao açúcar. Os planos para o futuro são ainda mais ambiciosos, garante o diretor Financeiro da companhia, Gustavo Colaço. Segundo ele, em seis anos a área plantada da empresa saltará de 16 mil hectares para 22 mil hectares.

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