Marcos De Paula/Estadão
Marcos De Paula/Estadão

'Além da Previdência, há medidas no curto prazo que podem ser sinal correto', diz Langoni

Diretor do Centro de Economia Mundial da FGV-Rio, Carlos Langoni pode assumir um cargo na próxima equipe econômica

Fernanda Nunes e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 11h00

RIO- O Brasil deverá passar por um "choque de liberalismo" no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, segundo o diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (FGV-Rio), Carlos Langoni, que poderá assumir cargo na próxima equipe econômica. Como choque liberal, o economista cita a abertura do mercado à competição externa, além da realização de uma agenda de privatizações e concessões.

"Não se trata só de um novo governo, mas principalmente de uma guinada liberal, que chamo de choque liberal. Não são só os 'Chicagos oldies' (como se denominam alguns dos integrantes da equipe do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, por terem passado pela Universidade de Chicago), são 'FGV oldies", acrescentou Langoni.

Entre os membros da equipe do novo governo que compartilham do 'choque liberal', foram citados Roberto Castello Branco, que assumirá a presidência da Petrobrás; Joaquim Levy, que ficará à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Marcos Cintra, na secretaria da Receita Federal; e Rubens Novaes, no Banco do Brasil.

"O desenho é esse mesmo. Não é uma opção ideológica, mas pragmática. O Estado brasileiro faliu, é necessário sim ter um choque liberal", afirmou o economista. Em sua opinião, reformas de longo prazo, como a da Previdência, são importantes, mas devem ocorrer de forma intercalada com medidas de efeitos mais rápidos.

"Existem medidas de curtíssimo prazo, episódicas, que podem dar o sinal correto de que essa trajetória de alta da relação dívida publica e PIB poderá ser revertida", disse. Como exemplos, citou a adoção de "políticas de desindexação, desvinculação orçamentária e o leilão do excedente da cessão onerosa".

Segundo Langoni, a realização de uma onda de concessões e privatizações vão ajudar a reduzir o papel do Estado e permitir uma consolidação fiscal mais ampla.

"Além disso, há uma reforma esquecida, que é a abertura da economia brasileira. Existe um modelo contaminado na América Latina que não funcionou. A gente nota dificuldade da região crescer em linha com os emergentes", disse o economista. Em sua opinião, o momento é de revisar a estratégia de posicionamento no comércio internacional. A abertura mais ampla das fronteiras deve garantir mais inovação e produtividade.

Para a indústria brasileira, Langoni afirmou que a abertura será "gradual e inovadora, não vai ter imprevistos".

De acordo com o economista, o novo governo não pode confiar apenas nas negociações comerciais multilaterais. É preciso avançar numa direção bilateral. "As negociações têm que ser simultâneas. O Brasil não tem uma agenda de negociação com a China, não temos uma agenda renovada com os Estados Unidos, não temos conversas com os países do Pacífico. Negociações", disse o economista, ressaltando que as conversas devem ser intermediadas com Itamaraty.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.