Além da TAP, VARIG quer atrair outro grupo de investidores

Além de contar com a participação da TAP em até 20% do seu capital, a Varig ainda quer atrair um outro grupo de investidores que receberia um bloco de controle a ser cedido pela Fundação Rubem Berta (FRB). O presidente do Conselho de Curadores da fundação, Ernesto Zanata, informou hoje, depois de uma audiência pública no Senado sobre a situação da empresa, que o BNDES poderá ser o gestor deste fundo. "Será um meio de disponibilizar um bloco de controle da Varig para mostrar a boa vontade da fundação com a operação, e vamos levar o plano ao BNDES para que ele seja o gestor até que a operação se concretize", afirmou Zanata. O executivo não deixou claro qual será o alcance da gestão do banco, mas deu a entender que isso se faria pela sua subsidiária, a BNDESPAR. Ele ressalvou que o fundo a ser criado terá que cumprir algumas premissas. Durante a audiência, Zanata dissera que a FRB não admite a extinção da empresa nem a do seu fundo de pensões, o Aeros. A BNDES Participações S/A (BNDESPAR) é um instrumento de investimento do governo e poderia ter participação temporária na reestruturação da empresa. Sua participação societária seria minoritária. Ao ser questionado sobre a possibilidade de ser criada uma golden share, ação que preserva privilégios de controle em algumas decisões da empresa, Zanata esquivou-se, sem responder. Acordo com a TAP O grupo que criaria o fundo seria integrado por investidores do setor hoteleiro, bancos e pela própria TAP, que, por ser empresa estrangeira, só pode chegar ao limite determinado pela lei de 20% do capital da empresa. Questionado sobre se haveria investimentos da companhia portuguesa em dinheiro, Zanata assegurou que sim, mas mais uma vez evitou dar detalhes. Em Portugal, a companhia informou que não vai investir capital próprio na Varig. Participação do governo A negociação informada por Zanata não convenceu o relator do projeto que institui a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), senador Delcídio Amaral (PT-MS). Argumentando que tanto a TAP como as outras empresas envolvidas na formação do fundo de investimento para a reestruturação da Varig seriam muito pequenas diante do tamanho da empresa brasileira e de seu passivo de aproximadamente R$ 9 bilhões, o senador acha que será necessária alguma solução por parte do Governo. Ressaltando falar em seu nome, Amaral disse achar que o projeto da Anac terá que ser usado para incluir algum dispositivo para assegurar um encontro de contas entre as dívidas das empresas aéreas com o governo e do governo com as companhias em função das derrotas sofridas por causa do congelamento de tarifas na década de 90. A Varig tem cerca de R$ 2,5 bilhões a receber e uma dívida com o governo em valor semelhante.

Agencia Estado,

17 Maio 2005 | 19h38

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