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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Além de medidas paliativas

Análise: Julio Gomes de Almeida

ECONOMISTA DO IEDI, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2012 | 03h06

A boa surpresa do pacote é que ele foi além de medidas de alívio de uma situação da indústria que é grave e atinge cada vez mais setores. As providências eram necessárias e vieram como desoneração da folha de salário, aperfeiçoamento da defesa comercial, ampliação dos créditos incentivados do BNDES e postergação do pagamento de impostos. Elas não serão neutras no curto prazo já que amenizarão o impacto da crise. Dada a redução da Selic promovida desde agosto pelo BC, será possível um crescimento maior da indústria nesse ano, possivelmente 3%, um desempenho aquém de suas potencialidades, mas superior à virtual estagnação vivenciada em 2011.

O maior alcance do pacote reside, no entanto, em ações de impacto menos imediato e que deverão colaborar com o aumento da produtividade. Muitos fatores explicam a lenta marcha da produtividade no País, mas um dos mais destacados está na diminuta representatividade de setores típicos das mais recentes ondas de revolução industrial e que têm alta intensidade inovadora. Pois bem, medidas de ampla desoneração de impostos foram introduzidas para beneficiar a fabricação de equipamentos nacionais de telecomunicações, computadores portáteis e semicondutores. Também é importante sublinhar no regime automotivo as contrapartidas que serão exigidas da indústria frente aos benefícios que o setor receberá em termos de incentivos fiscais e de proteção comercial criada pelo adicional de IPI sobre a importação de veículos. Esse setor pode dar à economia uma contribuição maior de produtividade, emprego de qualidade e eficiência energética.

De resto, o plano peca por depender excessivamente do BNDES no financiamento das políticas, o que acaba sobrecarregando o Tesouro. Nada há no pacote que contribua para a redução do custo do crédito bancário brasileiro, que é o maior do mundo, e nada foi concebido para introduzir as nossas instituições de crédito no esforço de investimento. Enquanto a questão do financiamento de longo prazo não for superada, a política de desenvolvimento brasileira terá alcance apenas parcial.

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