Nilton Fukuda/Estadão - 28/11/2019
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Além do segundo trimestre

Assim como a queda, a volta da atividade também deve ser marcada por assimetrias

Mário Mesquita*, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2020 | 12h52

A divulgação do PIB do segundo trimestre de 2020 consolida em números o entendimento de que a covid-19 causou no Brasil, assim como no resto do mundo, uma contração econômica para a qual é difícil encontrar precedentes históricos: o IBGE calcula que o produto interno bruto acumulado entre abril e junho foi 9,7% menor que no trimestre anterior (que já havia recuado 2,5%, devido aos efeitos iniciais da pandemia na segunda metade de março).

No entanto, é importante destacar que essa contração acabou sendo menos intensa do que se esperava há alguns meses (chegou-se a cogitar, entre economistas, contração próxima a 15% no segundo trimestre) e que esse resultado aponta que o ano como um todo também deve ser menos negativo do que chegou a ser projetado. Após atingir um mínimo de -6,5% em junho, o consenso de mercado reportado pela pesquisa Focus para o crescimento do PIB em 2020 vem subindo quase em linha reta, e se encontra atualmente em -5,3%.

A equipe de pesquisa econômica do Itaú Unibanco vem chamando atenção para essa leitura há algum tempo, com projeção de -4,5%, subsidiada pelo nosso novo indicador diário de atividade econômica, o IDAT (Itaú Daily Activity Tracker), que já mostrava que a economia terminou o trimestre muito melhor do que começou - após queda abrupta no final de março e um “fundo do poço” em abril, o IDAT teve recuperação expressiva em maio e junho, e seguiu em tendência de alta nos meses de julho e agosto, ainda que com alguma volatilidade.

Olhando para a frente, à medida que a situação se aproxima de alguma “normalidade”, a trajetória de recuperação tende a se tornar mais gradual - tanto porque os ganhos associados ao processo de reabertura de certas atividades vão ficando no passado, quanto porque os efeitos mais duradouros do choque se fazem sentir (entre eles, queda do emprego, aumento da alavancagem de empresas e famílias e incerteza sobre a trajetória das contas públicas).

O PIB do terceiro trimestre deve registrar alta superior a 7%, em parte, como efeito da melhora de maio e junho, enquanto o quarto trimestre deve ter crescimento mais próximo de 2%. Assim como a queda, a volta da atividade também deve ser marcada por assimetrias, que irão depender dos efeitos das necessidades de prevenção sobre diferentes setores, bem como da gradual remoção dos estímulos extraordinários adotados na fase mais crítica da pandemia.

*Economista-chefe do Itaú Unibanco

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