Alemães mostram a Fraga preocupação com baixo crescimento do Brasil

O fraco crescimento da economia brasileira preocupa o setor privado alemão. Em reunião realizada hoje, em Frankfurt, entre o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e representantes da Siemens, Daimler, Schering AG Bosch, ABB, Hochtief, Basf e Munique Re, a pergunta mais freqüente enfrentada pelo brasileiro foi sobre o ritmo de crescimento da economia nacional.Fraga tentou tranqüilizar os investidores. "Estamos em fase adversa, mas não há qualquer impedimento estrutural que impeça, a partir de 2003, a retomada do crescimento da economia a níveis dos anos anteriores", disse. Para este ano, o crescimento deverá ficar entre 1% e 1,5% na avaliação do BC.ReformasOutra preocupação dos industriais alemães estava relacionada à possibilidade das reformas tributária e fiscal não serem executadas pelo próximo governo. Fraga explicou que os candidatos à Presidência estão comprometidos com a agenda das reformas e reconheceu que o governo de Fernando Henrique Cardoso terminará com o processo incompleto.As privatizações também fizeram parte do debate. Apesar do representante da Siemens ter se queixado da falta de transparência do processo de privatização no Brasil, Fraga garante que as conversas entre os representantes do governo e as empresas foram "tranqüilas".BancosEnquanto o setor industrial quer uma explicação para o que irá ocorrer a médio e longo prazos, o sistema financeiro alemão continua preocupado com a mudança de governo, a partir de 2003, e como ela afetará a política econômica do País. Fraga também se reuniu com representantes de nove bancos alemães, entre eles o Deutsche Bank e o Dresden Bank."O objetivo foi tentar mostrar que o Brasil é uma opção rentável para os investimentos. Se mantiverem seus investimentos ou aumentarem o fluxo para o Brasil, os bancos poderão ter ganhos. E isso é bom também para nós, que teremos mais flexibilidade na fase de ajuste", afirmou Fraga. O presidente do BC ainda tentou mostrar ao setor financeiro que, se as políticas macroeconômicas forem mantidas no próximo governo, a dívida interna será "administrável".Nesta quarta-feira Fraga faz a última escala da viagem pela Europa. O presidente do BC estará em Amsterdã para falar com empresários holandeses e, pela tarde, dará uma coletiva à imprensa internacional.Lula no primeiro turnoO Deutsche Bank, o maior banco alemão e um dos mais influentes da Europa, começa a trabalhar com a possibilidade de as eleições presidenciais no Brasil serem definidas ainda no primeiro turno, com a vitória do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo uma avaliação feito por analistas do banco, apesar do crescimento de José Serra (PSDB) nas últimas pesquisas, o candidato do PT ainda conta com uma vantagem substancial.

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