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Alemães pedem para AL investir em infra-estrutura

Empresários condicionam aumento do comércio com a região a melhorias em portos, aeroportos e rodovias

O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 00h00

As grandes empresas alemãs com interesses na América Latina pediram ontem aos governos da região que invistam "maciçamente" em logística e infra-estrutura, se desejam crescer e competir no comércio mundial."O aumento das trocas comerciais com a América Latina depende da melhoria urgente das infra-estruturas aérea, marítima e terrestre", disse o diretor da Lufthansa Cargo, Thomas Kropp, aos mais de 200 investidores alemães e latino-americanos reunidos em Hamburgo (norte da Alemanha) por ocasião do Dia das Américas.A associação empresarial Latinoamerika Verein organiza o evento anualmente. Este ano, o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos do Brasil, Pedro Brito, participou da reunião. Brito reconheceu que "é preciso investir em infra-estrutura" e anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer exatamente isso.Brito ressaltou que os portos brasileiros - 150 de gestão privada e 40 de administração pública - têm caráter estratégico, já que são responsáveis pelo transporte de quase 90% dos produtos exportados pelo País.Ele acrescentou que as autoridades, com o objetivo de manter esse tráfego e até aumentá-lo, farão novos investimentos em infra-estrutura.O diretor da Lufthansa Cargo afirmou que praticamente todos os aeroportos da América Latina estão operando no limite de sua capacidade, que há poucas pistas de pouso e decolagem e as que existem precisam passar por reformas, enquanto as conexões por terra deixam muito a desejar. "De nada adianta falar sobre como aumentar o fluxo comercial se os artigos não podem ser distribuídos", criticou Kropp.Um cenário semelhante foi descrito por Klaus Meves, diretor da Hamburg Süd, a maior empresa portuária que opera no Brasil, e pelo diretor da Rohde&Liesenfeld, Bodo Liesenfeld, que advertiu para uma estagnação comercial por motivos logísticos.Em 2006, o volume comercial entre Alemanha e América Latina cresceu 6% e este ano deve manter esse ritmo de crescimento, segundo estudos da Latinoamerika Verein, que não fala ainda de estagnação, mas de "crescimento sustentado".Segundo Meves, boa parte dos portos brasileiros não tem as condições necessárias para a carga e descarga de contêineres em larga escala, seja pela falta de rampas subterrâneas ou de conexão viária ou ferroviária.CANAL DO PANAMÁO ministro de Assuntos Exteriores panamenho, Samuel Lewis Navarro, falou sobre as obras para a ampliação do canal, o maior projeto de engenharia do mundo, no qual várias empresas alemãs também têm interesse.Navarro foi questionado pelos empresários sobre a política de preços que o Panamá adotará assim que a ampliação for concluída. "O Panamá tem interesse em que esta rota se mantenha e, para isso, os preços precisarão ser muito competitivos, como são agora e continuarão sendo", respondeu.

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