Alemães: zona do euro pode ter que expulsar Grécia--pesquisa

A maioria dos alemães deseja que a endividada Grécia seja expulsa da zona do euro se necessário, e mais de dois terços se opõem a dar a Atenas bilhões de euros de crédito, mostrou uma pesquisa publicada neste domingo.

MADELINE CHAMBERS, REUTERS

14 de fevereiro de 2010 | 12h53

Uma oposição ferrenha de membros da coalizão da chanceler Angela Merkel à ajuda à Grécia também cresceu no fim de semana, em que vários políticos veteranos expressaram ceticismo, sobretudo porque a recuperação da própria Alemanha é frágil.

A pesquisa Enmid para o diário Bild am Sonntag mostrou que 53 por cento dos alemães indagados disseram que a União Europeia deveria, se necessário, expulsar a Grécia da zona do euro.

Atenas vem lutando para convencer investidores que está lidando com sua crise fiscal e os mercados estão nervosos com a possibilidade de um calote.

Líderes da UE discutiram o assunto na semana passada e ofereceram palavras de apoio, mas não conseguiram delinear medidas concretas, o que deixou os mercados ainda mais desassossegados. Os ministros das Finanças da zona do euro devem discutir a Grécia novamente na segunda e na terça-feira.

Merkel adotou uma postura cautelosa quanto ao apoio, dizendo que se por um lado a Grécia não será abandonada, por outro cabe a Atenas resolver seus problemas.

A pesquisa mostrou também que 67 por cento dos alemães não querem que seu país ou outro da UE dêem bilhões de euros e crédito à Grécia.

"Se começarmos agora, quando paramos?", disse Michael Fuchs, líder dos conservadores no parlamento, ao jornal Welt am Sonntag.

"Não consigo explicar às pessoas com salário desemprego que não vão ter nem mais um centavo mas que os gregos podem se aposentar aos 63 anos."

RESISTÊNCIA

Parceiro na coalizão de Merkel, o partido pró-mercado Democratas Livres (FDP na sigla em alemão) está ainda mais resistente a ajudar a Grécia.

"Resolver este problema não tem a ver com ajudar a Grécia", disse o especialista em orçamento do FDP Otto Fricke ao Welt am Sonntag. "A questão é manter protegidos os alemães que pagam impostos."

A Alemanha sofreu sua pior recessão do pós-guerra no ano passado, e a retomada da maior economia da Europa empacou no quarto trimestre, mostraram dados divulgados na sexta-feira.

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