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Alemanha aprova novo fundo europeu

Chanceler Angela Merkel se empenhou pessoalmente e Parlamento deu aval a plano, o que tirou um pouco da pressão sobre a Europa

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h02

O Parlamento alemão aprovou o novo fundo de resgate para a Europa e evitou ao mesmo tempo um colapso do euro e do próprio governo de Angela Merkel. Mas, se a medida permitiu uma injeção de oxigênio político no bloco, os mercados reagiram com cautela. Bancos e governos alertavam, antes mesmo de a tinta do acordo secar, que a aprovação de ontem pode ser insuficiente e o fundo terá de ser multiplicado por quatro se realmente quiser blindar a Europa.

Ontem, em Berlim, o Bundestag, o Parlamento alemão, avaliou o aumento do plano de resgate da União Europeia a países altamente endividados. Em julho, a Europa havia decidido ampliar o então fundo de resgate para um total de 440 bilhões.

O fundo também teria a missão de dar empréstimos para países que derem indicações de que começam a sofrer pressões fiscais. A entidade, que ganha um status de quase um FMI europeu, ainda teria o direito de comprar dívida dos países europeus e injetar recursos nos bancos.

Mas, para entrar em vigor, a proposta precisa do sinal verde dos 17 países da zona do euro. Desses, um tem um peso especial: a Alemanha.

Quase metade do novo dinheiro - 211 bilhões - viria dos cofres alemães. Não por acaso o Parlamento alemão tinha ontem as chaves para esse cofre e para a sobrevivência do euro.

No país, partidos usaram a crise europeia para tentar minar Merkel, alegando que os cidadãos estavam fartos de pagar pelos erros de outros governos. O próprio partido de Merkel chegou a considerar uma retirada do apoio a proposta, de olho nas urnas. Uma sondagem mostrou que 75% dos alemães são contra um novo resgate para a Grécia. Por meses, Merkel preferiu cobrar a Grécia do que dar sinais de apoio, indicando que a Alemanha não seria o caixa do continente. Ela chegou a ser cobrada pelo presidente Barack Obama para "assumir suas responsabilidades" na Europa.

Ameaças. Diante desse cenário, o temor dos mercados e da UE era de que Merkel não conseguisse reunir apoio suficiente para aprovar a proposta. Na prática, uma derrota teria jogado a zona do euro em uma turbulência sem precedentes. Mas também ameaçaria fazer cair o governo alemão.

Ontem, Bruxelas respirou aliviada. Para muitos na UE a vitória abre caminho a novas medidas para tirar a Europa da crise. O governo da França elogiou a aprovação da medida e a UE garantiu que o mecanismo deve começar a funcionar já em outubro. Já os mercados reagiram de forma mais contida: as bolsas europeias terminaram em alta, mas nada de euforia.

Bancos altamente expostos na Grécia, como o Commerzbank, Deutsche Bank AG, BNP Paribas e Societé Generale, tiveram altas entre 4% e 5%.

Na própria UE já se fala abertamente em ampliar o pacote de socorro para 2 trilhões, o que seria necessário para eventualmente resgatar países como a Itália ou Espanha. Na Alemanha, nem mesmo os aliados de Merkel estariam dispostos a aprovar tal ideia. O ministro de Finanças, Wolfgang Schauble, declarou que os 211 bilhões dados pela Alemanha eram o limite do país.

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