Alemanha aprova participação em pacote para a zona do euro

Alemães irão colaborar com até 148 bilhões de euros, num esforço para evitar efeitos da crise grega.

BBC Brasil, BBC

21 de maio de 2010 | 13h09

O Parlamento da Alemanha aprovou nesta sexta-feira a contribuição do país para um pacote de estabilização de 750 bilhões de euros (cerca de R$ 1,725 trilhão) destinado a países em que circula o euro.

A aprovação da parcela alemã, de até 148 bilhões de euros, é parte de um esforço europeu para evitar que a crise grega se espalhe pelo resto do bloco.

A chanceler alemã, Angela Merkel, foi duramente criticada no Bundestag, a Câmara Baixa do Parlamento, pela forma como tem reagido à crise financeira no continente, pedindo a aprovação do pacote de ajuda.

Ela se defendeu, entretanto, com o argumento de que a moeda comum europeia estaria "em perigo", caso não fossem tomadas medidas enérgicas.

Medida impopular

O correspondente da BBC em Berlim Steve Rosenberg afirmou que, para Merkel, a vitória foi tudo menos convincente e que ela continua sob ataques tanto interna quanto externamente devido à sua condução da crise financeira.

Sem apoio multipartidário, a líder alemã dificilmente conseguirá convencer a população da necessidade de resgatar economias de países vizinhos, de acordo com Rosenberg.

Para alguns analistas, o plano de socorro específico para a Grécia, que teve contribuição alemã de 22 milhões de euros, foi decisivo para a derrota da coalizão de centro-direita da chanceler em uma das principais regiões da Alemanha no início do mês.

Também nesta sexta-feira, ministros das Finanças europeus voltam a se reunir para discutir mais medidas.

Entre elas, devem estar mudanças nas regras orçamentárias da União Europeia, com maiores regulamentações para as finanças.

Os temores de uma crise europeia, reflexo da situação na Grécia, derrubaram os mercados financeiros europeus, que abriram em baixa nesta sexta-feira.

Merkel passou a semana tentando convencer o Parlamento a aprovar a contribuição para o pacote de socorro aos países do euro.

As autoridades do país, no entanto, aprovaram primeiro novas regras proibindo determinadas transações financeiras de curto prazo.

Por terem sido adotadas unilateralmente, as restrições provocaram críticas de outros países europeus, que acusaram a Alemanha de estar atuando sozinha, o que por sua vez levou a quedas na cotação do euro.

Reforma nos bancos

Merkel - que se prepara para participar da reunião de cúpula do G20 no Canadá, no mês que vem - também fez um apelo pela adoção de regras mais rígidas para bancos e o mercados financeiro.

França e Alemanha, as principais economias da União Europeia, têm enfrentado dificuldades em chegar a um acordo sobre como tratar a crise de dívidas, embora o presidente francês, Nicolas Sarkozy, tenha afirmado na quinta-feira "não ter discordância" com Merkel.

Nos Estados Unidos, o secretário do Tesouro americano, Tim Geithner, anunciou que visitará a Grã-Bretanha e a Alemanha na próxima semana para discutir a situação econômica dos países europeus e as medidas que têm sido tomadas para restaurar a estabilidade financeira.

Na quinta-feira, o Senado americano aprovou um projeto que prevê a mais ampla reforma da legislação financeira do país desde a época da Grande Depressão, nos anos 1930. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.