Alemanha assume compromisso de concluir Angra 3

Lula e a chanceler Angela Merkel assinam acordo que prevê fornecimento de componentes até o fim de obras

Denise Chrispim Marin e Gabriella Dorlhiac, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

O governo obteve da chanceler alemã, Angela Merkel, a preservação de parte de seus compromissos com o programa nuclear brasileiro. Assinado ontem, no encontro com o presidente Lula, o Acordo de Cooperação no Setor Energético prevê que a Alemanha mantenha o fornecimento de peças e de combustível até, pelo menos, a conclusão de Angra 3.O novo acordo substituirá o de 1975, que sustentou o programa nuclear do País. Em 2006, o governo alemão avisou que não queria mais manter o acordo de 1975. O Brasil forçou um novo acerto, que assegurasse o término de Angra 3. Concluída a usina, o governo trocará a cooperação alemã pela de outro país europeu. França, Inglaterra e Bélgica disputam o posto.O acordo assinado ontem prevê, na área nuclear, a criação de um grupo de trabalho para discutir o fornecimento de insumos e peças a Angra 3. A maior parte do acordo está centrada no diálogo sobre energias renováveis - inclusive etanol e biodiesel. Na área de biocombustíveis, prevê um mecanismo de certificação ambiental e social para o produto brasileiro.A assinatura do acordo não diminuiu a guerra de comunicação entre os dois países em relação aos biocombustíveis. Lula não conseguiu convencer Merkel a antecipar para 2009 o aumento da mistura do etanol à gasolina, de 5% para 10%. A chanceler disse que seguirá o cronograma europeu, que prevê a mistura de 10% em 2020, e justificou que parte da frota de veículos do país é antiga e não está adaptada ao álcool.Merkel tampouco afastou as suspeitas da opinião pública alemã e dos partidos que sustentam seu governo sobre o impacto dos biocombustíveis no desmatamento da Amazônia e nos preços dos alimentos. "Esse assunto depende da sustentabilidade." Para Lula, há interesses muito fortes no debate. "Parece tabu: todo mundo faz ouvido de mercador, ninguém quer deixar de usar o petróleo.À noite, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, saiu em defesa do etanol em jantar organizado em conjunto com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha para Merkel. "Não é verdade que ocupamos áreas agricultáveis com a cana, prejudicando a produção de alimentos. O que precisamos é trabalhar pela diminuição dos subsídios e pela redução das tarifas dos produtos agrícolas. Teremos essa oportunidade com a Rodada Doha e precisamos do apoio da senhora primeira-ministra."Merkel respondeu que é preciso mais transparência na marcação das áreas de plantio e, com relação a Doha, "é preciso encontrar um meio termo", ou seja, um acordo vantajoso para todos.

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