Alemanha critica política econômica francesa

A Alemanha mal esperou o encerramento daseleições na França para quebrar a trégua eleitoral e anunciarque, já no fim da semana, em Sevilha, durante a reunião doschefes de Estado e de governo europeus, vai cobrar definiçõesdos franceses sobre seus objetivos em matéria de equilíbrio dasfinanças públicas e de reforma da política agrícola comum.Os alemães se opõem aos franceses e, ainda no domingo, assimque o resultado das urnas foi anunciado em Paris, o chancelerGerhard Schröder, em Berlim, advertiu para a necessidade dessareforma: "Uma atitude solidária é urgente e indispensável daparte dos estados-membros que, durante longos anos, têm seaproveitado da ajuda de Bruxelas."Trata-se de uma alusão indireta à França, o país que mais temresistido a qualquer mudança na política agrícola, inclusiveprejudicando a própria negociação do acordo de livre comérciocom o Mercosul. Agora, encerrado o período eleitoral, osfranceses não têm mais desculpas para continuar defendendo, comunhas e dentes, o nível atual dessas ajudas e subsídiosagrícolas.Nesta terça-feira, em Berlim, outros dirigentes do país repetiram maisdiretamente esse mesmo desejo do governo alemão, irritando onovo governo francês, inclusive o gabinete do ministro deEconomia e Finanças, pelo fato de a situação das contas públicasfrancesas ter vazado em Berlim e não anunciada no final do mês,como previa Paris.Os alemães tem sido críticos também das hesitações francesasem confirmar os compromissos assumidos em Barcelona sobredéficits das finanças públicas, tentando adiar para 2007 osobjetivos de equilíbrio previstos para 2004.Berlim não admitenenhuma exceção, lembrando que a situação alemã é similar à daFrança, citando que o déficit público francês é de 2,6% do PIB eo nível de suas contas públicas é tão preocupante quanto o daItália e o de Portugal.Tais revelações contribuíram para aumentar ainda mais airritação dos técnicos do governo francês, antecipando osresultados da auditoria encomendada pelo primeiro ministroRafarrin ao assumir o poder.A França busca, neste momento, privilegiar as promessas decampanha do presidente Jacques Chirac. Ele prometeu uma reduçãoimediata, ainda este ano, de 5% de todas as faixas do impostosobre a renda.Mesmo que ostécnicos de Bercy, sede do Ministério de Finanças, não semostrem contentes, o presidente recém-eleito não abre mão dessasua promessa de campanha. Seu programa prevê também uma redução dediversos outros impostos nos cinco anos da legislatura. Ochanceler alemão Gerhard Schröder acha que esse não é o momentopara um programa de redução de impostos, cujo custo vaiprejudicar a estabilidade européia.

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