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Alemanha declara apoio a Christine Lagarde no FMI

O governo alemão declarou hoje apoiar "enfaticamente" a candidatura da ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, para o posto de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). O nome também foi elogiado por outros países da Europa, mas ela deve enfrentar a resistência de nações emergentes, além das críticas por não possuir conhecimento formal em economia. Christine também enfrenta uma acusação de abuso de autoridade em uma disputa judicial de 2007.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

25 de maio de 2011 | 11h29

O FMI deve receber três candidaturas para seu comando. O período de inscrições dos nomes vai até 10 de junho e um vencedor deve ser anunciado até 30 de junho. Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel, disse que Lagarde possui bastante conhecimento sobre a crise da dívida soberana enfrentada pela Europa, "na qual o FMI tem um papel importante". Além disso, Seibert afirmou em entrevista coletiva que, dada a familiaridade da candidata com o tema, ela poderia trabalhar imediatamente, caso seja a escolhida. O porta-voz disse ainda que a francesa é competente e tem anos de experiência em altas posições na iniciativa privada, na política e nos governos, com importância internacional.

Vários países emergentes demonstraram recentemente frustração com o fato de a Europa querer manter a tradição de garantir para si o cargo de comando do FMI. Por um pacto entre o continente e os EUA, um europeu ocupa o posto de diretor-gerente do FMI, enquanto um norte-americano preside o Banco Mundial.

Christine Lagarde disse que sua candidatura não deve ser vista pelo prisma da nacionalidade e afirmou que não é uma candidata da União Europeia, da zona do euro ou da França. "O fato de eu ser europeia não deve ser um ponto positivo, nem negativo."

Perfil

Alguns críticos já questionaram a falta de credenciais de Christine para comandar o FMI, dada sua ausência de conhecimento formal em economia. A ministra das Finanças ressaltou seus pontos fortes: "Se eu for eleita, levarei ao fundo toda minha experiência como advogada, líder empresarial, ministra e mulher", afirmou. O FMI nunca foi comandado por uma mulher.

Antes de entrar na política francesa, Lagarde teve uma longa carreira como advogada de corporações, parte dela nos EUA. Em 2005, ela retornou à França para se tornar ministra do Comércio no governo do então presidente Jacques Chirac. Ela é membro do União por um Movimento Popular (UMP), o mesmo partido do presidente Nicolas Sarkozy.

Christine disse ainda que está buscando um mandato integral, de cinco anos, e não apenas um período para completar o restante do mandato de Dominique Strauss-Khan, que renunciou após ser acusado de crimes sexuais em Nova York, onde está em prisão domiciliar.

Um obstáculo diante da ministra é judicial. Em 2007, Christine enviou um caso entre o Estado francês e o empresário Bernard Tapie a um painel de arbitragem, não deixando que o tribunal continuasse seu trabalho. No início deste mês, um promotor recomendou que sua conduta fosse examinada por um tribunal especial para ministros em exercício. O promotor, Jean-Louis Nadal, afirmou que havia reunido informações apontando para um possível "abuso de autoridade". O tribunal deve decidir em meados de junho se abrirá um inquérito no caso. A ministra garante nunca ter extrapolado sua autoridade. As informações são da Dow Jones.

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