Alemanha descarta ampliação do G8 com Brasil e outros emergentes

O governo alemão decidiu convidar os líderes do Brasil, Índia, China, México e África do Sul para participarem do próximo encontro de cúpula do G8, que acontecerá entre os dias 6 e 8 de junho no balneário de Heiligendamm. Mas o governo liderado pela chanceler Angela Merkel descartou a entrada formal dos grandes países emergentes no clube das nações mais industrializadas, proposta defendida pelo primeiro ministro britânico Tony Blair. A Alemanha assume a presidência anual rotativa do G8 - atualmente com a Rússia - em janeiro próximo.Nos últimos anos, o Brasil e outros grandes países emergentes têm participado como convidados dos encontros de cúpula e de ministros das Finanças do G-8. O governo alemão vinha dando até recentemente sinais de que poderia não manter essa prática em 2007.Mas após uma reunião de Merkel com seu gabinete ministerial realizada nesta quinta-feira, foi decidido que o G8 intensificará o diálogo com os grandes emergentes em temas como o comércio multilateral e meio ambiente. Merkel, no entanto, não pretende estimular uma ampliação do G-8 durante sua presidência, por avaliar que isso complicaria ainda mais o processo decisório dentro do grupo.CríticasO limitado espaço conferido aos países emergentes nas discussões do G8 tem sido alvo de críticas do governo brasileiro. Os líderes dos países emergentes não participam, por exemplo, da elaboração dos comunicados finais dos encontros do clube dos ricos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não escondeu sua insatisfação após participar, em junho passado, da reunião ampliada dos ministros das finanças do G8 em São Petesburgo, na Rússia, na qual o papel do Brasil e de outros emergentes ficou restrito apenas a algumas reuniões. Mantega sugeriu mais recentemente que os emergentes poderão reforçar o papel do G20, grupo de ministros das finanças e presidentes de bancos centrais de países ricos e em desenvolvimento, cuja reunião anual acontecerá no próximo mês em Melbourne, na Austrália. Fontes diplomáticas brasileiras, no entanto, elogiaram a decisão alemã de preservar o convite aos emergentes, pois ela "manterá aberto um importante canal de discussão". "Terno usado"Merkel qualificou como "muito ambicioso" o programa para a presidência alemã do G8, cujo lema será "Crescimento e responsabilidade". Entre os pontos prioritários da agenda, estão os desequilíbrios da economia mundial, mudança climática, energia e uma maior ajuda à África. A Alemanha realizará inclusive uma conferência especial em 2007 que contará com a participação de líderes africanos. Mas a imprensa alemã criticou a chanceler, por considerar que essa agenda é uma mera continuação das iniciativas das presidências prévias do G8. "É impressionante que Merkel tenha decidido, para sua segunda aparição na política externa além da presidência da União Européia, vestir um terno já usado por Tony Blair", disse o Der Tagesspiegel, que lembrou que o primeiro ministro britânico já havia colocado a África como tema prioritário em 2005, durante sua presidência do G8.

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