Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Alemanha dividida, 20 anos após cair o muro

Cerca de 20% da população oriental continua abaixo da linha de pobreza

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

Vinte anos após a queda do muro de Berlim, ainda existem duas Alemanhas em termos sociais. Mas o país promete organizar nos próximos meses uma série de eventos para marcar o fim do símbolo da divisão. Dados do ParitÄtische Gesamtverband, entidade que reúne associações de caridade e do governo federal, apontam que 20% da parte oriental vive com menos US$ 1 mil por mês, a linha da pobreza no país. A situação mais crítica é de Vorpommern, onde 27% da população ganha até essa faixa. O valor é calculado pela média do custo de vida. Quem ganha menos de 60% da média salarial é considerado pobre. Para os casais com um filho, a linha da pobreza é uma renda mensal de US$ 2,2 mil. No lado ocidental, a parcela de pobres não chega a 13%."A pobreza está crescendo", afirmou Ulrich Schneider, diretor da ParitÄtische Gesamtverband. Segundo ele, o aumento vem de um período anterior à crise econômica e demonstra que o sistema já não era adequado para garantir ajuda a todos. Segundo dados oficiais, o governo alemão gastou cerca de 80 bilhões por ano desde 1990 para promover uma maior integração entre os dois lados do país. O dinheiro ainda foi usado para tentar levar empresas ao lado oriental, elevar salários e melhorar sistema de saúde. Mas as novas constatações são de que esses investimentos ainda não permitiram que as diferenças fossem superadas. Com a crise - a pior na Alemanha desde o fim da 2ª Guerra Mundial - a tendência é ainda de agravar as disparidades. "O desemprego no lado oriental deve aumentar com mais velocidade que no oeste", afirmou Schneider. Pela primeira vez depois da reunificação, cidades do leste estão vendo fábricas fecharem. Em algumas regiões, a taxa de desemprego chega a 25%, enquanto milhares de jovens migram para Berlim e outras metrópoles. A região de origem da chanceler Angela Merkel, Mecklenburg-Vorpommern na ex-Alemanha Oriental, é a segunda mais pobre do país, com 24% da população vivendo abaixo da linha da pobreza. Já no Ocidente, a região da Floresta Negra é uma das mais ricas, com apenas 7,4% da população abaixo da faixa. Nos Estados ocidentais de Hesse, Baden-Württemberg e Bavaria, a pobreza atinge 11% da população. Mas o que os novos dados também demonstram é que a pobreza na Alemanha começa a avançar para além do muro social. Os bolsões de pobreza começam a se proliferar no interior do Ocidente. Hoje, em locais como Hamburgo e Estados como Saxônia, Westphalia e Rhineland Palatinate, cerca de 15% da população vive abaixo da linha da pobreza. Outra constatação é que o número de crianças alemãs vivendo em famílias pobres também atinge números jamais vistos desde a 2ª Guerra Mundial. São 3 milhões de crianças nessa situação. Em Berlim, 36% das crianças vivem em famílias com renda abaixo da linha da pobreza. Um dos apelos das entidades é para que se crie um salário mínimo. A Alemanha é um dos poucos países na Europa sem o benefício. O valor proposto é de US$ 10,5 por hora. Mas Merkel é contra, alegando que a medida pode aumentar o desemprego. Para analistas, o tema fará parte da campanha eleitoral em setembro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.