Kai Pfaffenbach/Reuters
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Alemanha diz que precisa de mais estrutura para investir no Brasil

Segundo vice-ministro de Finanças alemão, investimentos no País só ocorrerão se tiverem informações mais claras e seguras sobre cobrança de impostos, retorno de investimentos e questões regulatórias

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 14h32

BRASÍLIA - O vice-ministro de Finanças da Alemanha, Jens Spahn, mostrou-se surpreso com o tamanho de projetos do governo brasileiro, avaliou que a economia doméstica precisa melhorar e deu um recado claro: apesar do interesse, as empresas alemãs só investirão no Brasil se tiverem informações mais claras e seguras sobre cobrança de impostos, retorno de investimentos e, especialmente, questões regulatórias. O alemão conversou com jornalistas após reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na sede da Pasta.

O encontro de hoje, segundo ele, foi para que os dois países trocassem informações para fazerem avaliações sobre investimentos. "É para vermos o que realmente é atrativo para as companhias alemãs. E vice-versa", disse.

Questionado sobre o andamento da economia doméstica, Spahn, disse meio constrangido, mas rindo: "Obviamente, a economia brasileira está em uma situação que precisa melhorar, que precisa de mais investimentos", considerou. Ele disse ter ficado "impressionado" com o projeto do governo de investimentos em todo o País de 5 mil quilômetros de novas estradas. "É algo realmente impressionante pelo tamanho, principalmente quando viemos de um país pequeno."

O vice-ministro disse que o interesse de seu país é dar "apoio" ao governo brasileiro. "Apoiamos o governo brasileiro para que possa voltar ao crescimento, diminuir o desemprego e ter uma vida melhor", citou.

Quando perguntado, porém, quais os reais investimentos que a Alemanha poderia fazer no Brasil, Spahn disse que, na verdade, sobre essa questão, é preciso ter mais informações sobre as regulações dos contratos e segurança sobre o que acontece no País. "Queremos que mais empresas alemãs invistam no Brasil, mas, para isso, precisamos de mais estrutura. Para investir, você precisa de segurança. Daí haverá mais interesse do que hoje", disse. "A gente precisa ter certeza sobre a cobrança de impostos, por exemplo, sobre retorno, o que acontece com isso. Mas o que é mais importante são informações regulatórias", acrescentou.

Ele agradeceu ao convite brasileiro e disse que estão preparando encontros entre as companhias dos dois países, para trazer mais informação e mais segurança aos investimentos. "Foi um bom encontro, conversamos sobre como trabalhar juntos. Especialmente trocar informações sobre taxas sobre investimentos no Brasil." 

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