Alemanha e França buscam acordo radical para zona do euro

Alemanha e França estudam medidas radicais para garantir uma integração fiscal mais rápida e mais profunda entre os países da zona do euro. Há, no entanto, resistência às mudanças, disseram autoridades da UE.

LUKE BAKER E JULIEN TOYER, REUTERS

27 de novembro de 2011 | 14h01

O plano original da Alemanha era tentar garantir o acordo entre todos os 27 países da UE para uma mudança limitada para o Tratado de Lisboa até o final de 2012. A intenção era impor um controle ao orçamento bem mais rigoroso sobre os 17 países da zona do euro -uma maneira de sustentar a defesa da região contra a crise da dívida.

Porém, em reuniões com líderes da UE nas últimas semanas, ficou claro para a chanceler alemã Angela Merkel e para o presidente francês Nicolas Sarkozy que pode não ser possível ter todos os 27 países a bordo, disseram fontes da UE.

A mudança, mesmo com o apoio dos países-membros, teria lenta implementação. A previsão é que levaria um ano ou mais para finalmente garantir as mudanças, mas as turbulências na Itália, Espanha, e agora na França sugerem que medidas ousadas são necessárias no curtíssimo prazo.

Como resultado, autoridades do alto escalão dos governos da Alemanha e da França têm explorado outras maneiras de atingir o objetivo, tanto via um acordo entre apenas os países da zona do euro, quanto um acordo separado fora do pacto da UE. Essa última proposta envolveria um núcleo de cerca de 8 a 10 países da zona do euro, disseram autoridades.

Nenhuma decisão definitiva foi alcançada. A Reuters reportou com exclusividade no dia 9 de novembro que autoridades da França e da Alemanha discutiam planos para uma revisão radical da União Europeia, para estabelecer uma zona do euro mais integrada fiscalmente e possivelmente menor.

"Os alemães tomaram sua decisão. Eles querem uma mudança do pacto e estão fazendo o que podem para empurrá-lo o mais rápido possível", disse à Reuters uma autoridade sênior da UE envolvida nas negociações.

Enquanto Alemanha e França estão convencidos de que a mudança para a união fiscal é a única maneira de superar a crise da dívida. Se as alterações forem efetivadas poderia abrir caminho para a emissão de títulos conjuntamente na zona euro, dando maior margem de manobra para o Banco Central Europeu a agir com força. O problema é que alguns países da zona do euro são incapazes ou não querem se mover tão rapidamente rumo a essa meta.

Não apenas Grécia, Irlanda e Portugal, que estão recebendo ajuda da UE e do FMI, mas também Itália e Espanha e alguns países do leste europeu como a Eslováquia, encontrariam dificuldade, nas atuais condições econômicas, em cumprir as restrições orçamentárias que a Alemanha quer. Em alguns casos, o problema não é econômico, mas político, simplesmente não concordam com o objetivo.

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