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Alemanha e França pressionam Itália pelo ajuste fiscal

Avaliação da UE é que a Itália não está fazendo sua parte para reduzir a dívida; temor é que o país siga o caminho da Grécia

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h04

Os líderes da Alemanha e da França perderam a paciência com a Itália e pressionaram o primeiro-ministro Silvio Berlusconi para que acelere a adoção do pacote de austeridade. Eles alertaram que Roma não está fazendo o suficiente para evitar que a Itália siga o caminho da Grécia.

Ontem, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, se reuniram privadamente com Berlusconi para cobrar resultados e alertar que de nada vale criar um mecanismo de resgate na União Europeia (UE) se os países não fizerem sua parte.

O italiano havia se comprometido a reduzir seu déficit publico, após ficar claro que havia o risco real de que a Itália, a terceira maior economia da zona do euro, fosse engolida pela crise da dívida. Se isso ocorresse, a UE temia que a própria sobrevivência do euro estaria ameaçada.

Além da reunião com Merkel e Sarkozy, Berlusconi também foi convocado para a reunião com o presidente da UE, Herman Van Rompuy, que aproveitou a ocasião para "pressionar" o italiano.

O alerta da UE é de que a Itália deve seguir o exemplo da Espanha, que anunciou pacote de austeridade, já o aprovou e começou a implementar os cortes.

No caso de Berlusconi, a realidade é que a UE perdeu a confiança sobre sua capacidade de lidar com a crise. Da parte de Merkel, o recado foi duro: quer de Roma medidas concretas, como a reforma do mercado de trabalho e das aposentadorias.

No sábado à noite, Merkel jantou com o italiano e reclamou que a resposta de Berlusconi havia sido vaga e que o primeiro-ministro mostrou resistência em adotar novas medidas. Merkel alertou que de nada adianta um pacote para salvar a UE, enquanto governos isoladamente não fazem sua parte. Sua queixa é que a dívida italiana não cede dos 120% do PIB.

Sarkozy concentrou seus ataques a Berlusconi e aos gregos, pedindo que sejam "conscientes de suas responsabilidades" e que adotem novas decisões para reduzir o déficit. A crise de confiança que enfrenta a Itália no seio da UE se traduziu no comunicado final da cúpula de ontem. No texto, os governos lembram que é "obrigação de todos aplicar as recomendações sobre política fiscal e reformas estruturais". Berlusconi ironizou a cobrança e, ao sair das reuniões, indicou que nunca havia saído mal de revisões médicas. / J.C.

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