Alemanha está comprometida a fazer tudo que puder, diz Merkel

Chanceler da Alemanha repete declaração de Mario Draghi sobre preservação da zona do euro, depois de diversos políticos criticarem as medidas do BCE em jornal alemão

Priscila Arone, da Agência Estado,

16 de agosto de 2012 | 14h04

OTTAWA - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta quinta-feira que o pacto fiscal proposto pela cúpula da União Europeia é o primeiro passo na direção de promover o processo político necessário para assegurar a cooperação de longo prazo na Europa.

Merkel afirmou, porém, que isso não é suficiente e que os formuladores de políticas estão pensando em melhorias "como maiores direitos de intervenção no que diz respeito aos Estados que não cumprem os critérios de estabilidade". A chanceler está em visita oficial ao Canadá, onde fez as declarações ao lado do primeiro-ministro Stephen Harper.

A líder alemã disse que gostaria de ver maiores direitos de intervenção no pacto fiscal, como a permissão para que a Comissão Europeia intervenha diretamente nas leis orçamentárias dos países que não cumprem as regras. Ela disse que parte do problema com o euro está relacionada à sua credibilidade, "porque, geralmente, dizemos que faremos certas coisas e então não as colocamos em prática".

"Esta credibilidade tem de ser reconquistada, porque é o benefício mais importante que nós temos com os investidores", disse ela. "Não seremos capazes de financiar a dívida apenas com investidores europeus e isso vai depender de nossa confiança e credibilidade. É por isso que precisamos conversar sobre isso no outono (no hemisfério norte)."

Merkel disse que deve haver um "certo grau de solidariedade" na Europa e que os países que recebem dinheiro de fundos de resgate têm de usá-lo "com muito mais eficiência" no futuro. "O que aprendemos é que nem todo o dinheiro que demos provocou um aumento da competitividade desses países", disse ela.

A chanceler alemã afirmou também que seu país está comprometido a fazer tudo que puder para manter o euro, repetindo uma declaração feita pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em evento realizado em Londres no mês passado. "O que Draghi falou é algo que nós repetimos o tempo todo" desde que a crise na Grécia começou, há mais de dois anos.

"O que viemos repetindo desde então é que nos sentimos comprometidos a fazer tudo que pudermos a fim de manter a moeda comum", disse Merkel. "Os comentários de Draghi estão completamente em linha com o que estamos dizendo o tempo todo", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
AlemanhaMerkeleuro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.