Alemanha não aceita acordo anunciado ontem pelo Comitê da Basileia

O governo alemão também está preocupado com a liberdade que as regras até agora acordadas dão aos bancos de investimento dos EUA para conduzirem atividades fora de seus balanços financeiros

Danielle Chaves, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 14h08

A Alemanha está se recusando a aceitar as novas regras sobre capital e liquidez dos bancos até conseguir um melhor tratamento para as redes de bancos de poupança e cooperativos do país, segundo pessoas próximas ao assunto. Martin Kreienbaum, porta-voz do Ministério de Finanças alemão, afirmou que as negociações sobre o assunto ainda estão em andamento e que um acordo deverá ser alcançado na cúpula do G-20 marcada para novembro.

O governo alemão também está preocupado com a liberdade que as regras até agora acordadas dão aos bancos de investimento dos EUA para conduzirem atividades fora de seus balanços financeiros, segundo uma fonte.

Ontem o Comitê sobre Supervisão Bancária da Basileia anunciou que chegou a um acordo prévio sobre as linhas gerais dos novos padrões de capital e liquidez dos bancos, que pretendem evitar uma repetição da crise financeira que devastou economias dos EUA e da Europa durante os últimos três anos. Mas o comitê informou que "um país ainda tem preocupações".

Um ponto de preocupação particular é a diferença de opinião sobre como calcular o capital regulatório de um banco no futuro, em razão do frequente uso na Alemanha de "participações silenciosas" e "depósitos silenciosos". Esses instrumentos têm um papel particular na estrutura de capital de muitos bancos de poupança alemães e bancos cooperativos.

Indicações preliminares sugerem que o Comitê da Basileia quer restringir a definição de capital "Tier 1 principal" a títulos pagos e reservas de caixa conhecidas. O atual acordo de Basileia II permite que os bancos contabilizem as participações silenciosas como capital Tier 1.

Os bancos de poupança e cooperativos representam dois pilares do "sistema de três pilares" que tem sido alimentado pela Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial e estão particularmente representados no mercado de depósitos de varejo e no crédito para pequenas e médias empresas. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.