Alemanha não coopera, diz ministro francês

Em entrevista ao 'Estado', Benoit Hamon, segundo na hierarquia da equipe econômica, afirma que a austeridade está afundando a Europa

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / ATENAS, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h09

A animosidade entre França e Alemanha já não é mais segredo. Ontem, o ministro da Economia Social francês, Benoit Hamon, disparou críticas contra o modelo do país vizinho, cuja postura seria "não cooperativa" e diferente dos interesses da Europa.

Segundo o executivo, o número dois do Ministério da Economia, a "austeridade generalizada" está estrangulando a população, as empresas e a capacidade de investimento da Grécia e matando o projeto europeu.

As críticas feitas em entrevista ao Estado e a um outro jornal brasileiro sintetizam o nível de divergências entre o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, no que diz respeito à condição da crise das dívidas. Para Hamon, a turbulência se explica pela forma como a Alemanha organizou sua economia ao longo dos últimos anos. "Estamos no meio das consequências do que a Alemanha fez ao desempenhar o papel de lobo solitário durante todos esses anos", disse ele, descartando a adoção da "austeridade generalizada" na França.

"Se nós chegamos a esse ponto, é porque a Alemanha praticou políticas não cooperativas durante vários anos, que consistiam em baixar seu custo do trabalho unilateralmente para restaurar sua competitividade não só em relação a vocês, brasileiros, ou da China, mas a todos os vizinhos europeus."

Para Hamon, "não há um só economista sério que defenda a política de austeridade generalizada, além daqueles que sempre se enganaram sobre tudo". "Há teorias ortodoxas no plano liberal que dominaram no debate europeu, defendidos por líderes conservadores, liberais, alguns dentre eles ainda no poder em alguns países", disse, garantindo que a política de relançamento pregada pela França de Hollande está "em diapasão com vários vencedores do Prêmio Nobel de Economia, como Krugman, Stiglitz e outros".

Referindo-se aos próximos encontros de cúpula, como o G-20 e a reunião de chefes de Estado da União Europeia, Hamon reconheceu que França e Alemanha terão dificuldades de obter consenso, mas se felicitou do apoio de líderes de outros países, como Mario Monti, primeiro-ministro da Itália. "Vamos ter discussões acirradas com a Alemanha, mas os ecos que temos na Europa indicam que todo mundo está muito favorável à estratégia proposta pela França", disse.

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