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Alemanha: o país em que a energia solar vingou até demais

País se tornou o quarto maior mercado do mundo para a tecnologia, mas precisou reformular sua política de subsídios

MELINA COSTA , ESPECIAL PARA O ESTADO / BERLIM , O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2014 | 02h04

O último 9 de junho foi um marco nos esforços para a popularização da energia solar na Alemanha, quarto maior mercado mundial para a tecnologia. Na tarde daquela segunda-feira, mais da metade da demanda de eletricidade do país (50,6%) foi suprida por painéis fotovoltaicos, no pico de produção. Trata-se de um marco psicológico - o dia foi feriado, com demanda mais baixa, mas tem sido comemorado pelo setor. "É uma prova de que a energia solar está se tornando cada vez mais relevante no mundo e que, em particular na Europa, está abrindo caminho para uma transformação no sistema energético", diz Benjamin Fontain, porta-voz da Associação da Indústria Fotovoltaica na Europa.

Há alguns anos, a energia solar é competitiva na comparação com fontes mais tradicionais de energia na Alemanha. "Críticos costumam se esquecer de considerar o ciclo de vida completo de uma usina elétrica", diz Max Hildebrandt, especialista em energias renováveis da Germany Trade and Invest, agência de desenvolvimento econômico da Alemanha. "O custo de instalação de painéis é bem mais baixo que a construção de usinas convencionais." Além disso, o preço dos painéis solares vem caindo e é hoje menos da metade do que era em 2006.

A geração de energia solar continua crescendo na Alemanha, mas o ritmo deve arrefecer daqui para frente. Em 2013, o número de instalações fotovoltaicas caiu pela primeira vez, com a mudança na política de incentivos do governo. Desde 2000, o cidadão que instalasse painéis solares em casa tinha a garantia de vender a energia gerada ao sistema por um preço mais alto que a média do mercado. Esse "bônus" era pago pelos consumidores finais na forma de uma sobretaxa, destinada a subsidiar o desenvolvimento da energia renovável como um todo. O setor industrial ficou, em grande parte, isento desse custo extra, de forma a evitar a perda de competitividade da indústria alemã.

Como resultado desse esquema e do barateamento dos painéis, houve, entre 2010 e 2012, uma explosão no mercado de energia solar. As placas fotovoltaicas tomaram conta de telhados e paisagens e a Alemanha tornou-se um exemplo na transição para energias renováveis.

Só que o modelo funcionou bem demais: com tanta gente vendendo energia solar subsidiada, a conta dos alemães aumentou mais rapidamente que o esperado. Desde 2009, a sobretaxa das fontes renováveis subiu 380%, para 0,062 por quilowatt-hora. Hoje, os consumidores alemães estão entre os que pagam mais caro por energia elétrica no mundo desenvolvido.

Para amenizar a escalada de preços, entrou em vigor, em agosto, uma nova versão da lei sobre energias renováveis. Foi estabelecido, por exemplo, um limite anual para a compra de eletricidade pelo sistema e o valor do subsídio para a energia solar tem apresentado queda mês a mês.

"Com a mudança, os incentivos foram reduzidos, mas isso reflete mais o aumento da competitividade das energias renováveis que um passo atrás no comprometimento com a transformação energética da Alemanha", escreveu em um relatório recente Patrick Graichen, diretor do Agora Energiewende, instituto criado para discutir a transição energética alemã.

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