Alemanha pode ser o primeiro país rico a sair da crise

Com as exportações em alta, BC alemão revisa projeção de crescimento do país de 1,9% para 3% este ano, a maior entre os países desenvolvidos

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Depois de meses de recessão, a Alemanha desponta como o país industrializado com melhor capacidade de recuperação para sair da crise. Ontem, o BC alemão revisou para cima a projeção de crescimento da maior economia da Europa. Com a notícia o euro ganhou terreno e ainda fez com que os papéis da dívida alemã se valorizassem.

Em seu relatório mensal, o Bundesbank estimou que a economia do país pode se expandir em 3% em 2010, a maior taxa entre todos os países ricos. A previsão inicial era de que o crescimento seria de 1,9%. Mas, com uma taxa de crescimento de 2,2% no segundo trimestre, todas as projeções passaram a ser refeitas.

Entre abril e junho, a economia alemã teve o maior crescimento trimestral desde a reunificação do país no início dos anos 90. A alta no Produto Interno Bruto (PIB) ocorreu principalmente graças às exportações, já que o mercado interno continua relativamente frágil.

Ontem, o banco central alemão deixou claro que a taxa de 2,2% não se repetirá neste ano. Mas não disfarçou o entusiasmo com a situação do país.

"O ritmo de crescimento vai se normalizar após um segundo trimestre extraordinariamente dinâmico", diz o relatório. "Mas, no geral, a situação econômica da Alemanha é muito favorável neste momento."

Em 2009, a Alemanha sofreu uma contração de seu PIB de 4,7%, a maior queda desde o fim da era Hitler.

Para o segundo semestre, o BC alemão admite que as exportações não devem continuar a ter o mesmo desempenho que nos primeiros meses do ano. Isso por causa de uma queda no ritmo de crescimento dos Estados Unidos, Japão e da China. Mas o Bundesbank aponta que essa moderação nas exportações será compensada por um crescimento do consumo doméstico alemão, até agora fraco.

Autossuficiência. A projeção do banco central é de que tanto consumidores quanto empresas voltem a gastar. "A recuperação econômica deve continuar na segunda metade do ano", afirma o Bundesbank, que não descarta uma inflação moderada.

Para a entidade, a economia alemã será "cada vez mais autossuficiente".

Mas o banco central alemão alerta que não é por causa das boas notícias que Berlim deve relaxar sua política de austeridade fiscal. Se as atuais medidas forem mantidas, o banco central admite que o déficit alemão ficará abaixo de 4% em 2011 e de 3% em 2012.

A chanceler Angela Merkel insistiu há poucos dias que não vai reduzir impostos ou modificar seus planos de redução de gastos públicos.

SINAIS POSITIVOS

Avanço

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto da Alemanha cresceu 2,2% e todas as projeções passaram a ser refeitas. O crescimento entre abril e junho foi o maior desde a reunificação do país no início dos anos 90.

Substituição

No segundo semestre, o BC alemão admite que as exportações não devem registrar o mesmo desempenho dos primeiros meses do ano. Mas a moderação das exportações deve ser compensada com o crescimento do consumo interno.

Déficit

A projeção do banco central alemão é de que o déficit fiscal do país ficará abaixo de 4% no próximo ano e inferior a 3% em 2012.

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