Alemanha quer acordo com Mercosul antes da Alca

O ministro de Economia e Tecnologia da Alemanha, Werner Muller, afirmou nesta quarta-feira que a União Européia quer ultrapassar os norte-americanos na conclusão de um acordo de livre comércio, onde está incluído o Brasil. Ele lembrou que a Alca, cujas negociações devem terminar em 2005, será um marco importante para a economia da região, mas afirmou que "a Europa quer ultrapassar os Estados Unidos e fechar antes de 2005 um acordo de livre comércio com o Mercosul", afirmou, durante seminário na Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Alemanha.Na avaliação do ministro, as próximas rodadas de negociação entre União Européia e Mercosul acontecerão em bases muito mais concretas, já que os europeus colocaram na mesa um amplo pacote de propostas. O ministro afirmou que o principal obstáculo para aumentar os investimentos alemães no Brasil é o Tratado de Fomento e Proteção de Investimentos, ainda não ratificado pelo Brasil. Esta será uma das principais reivindicações que o chanceler Gerhard Schroeder vai levar nesta quinta-feira ao encontro com o presidente Fernando Cardoso e ministros, em Brasília.Muller destacou que a Alemanha tem, de fato, forte interesse em aumentar sua participação nas áreas de energia, transportes e telecomunicações no Brasil e acredita que a visita do chanceler, acompanhado do ministro e de 25 empresários, deve abrir uma nova oportunidade de engajamento da Alemanha no Brasil.A Alemanha já foi o segundo maior investidor direto no brasil, chegando a ter uma participação de 17% do total do estoque, em cerca de US$ 8,5 bilhões, atrás apenas dos Estados Unidos. Na última década, entretanto, o país ficou ausente do processo de privatização e seus investimentos caíram para 7% do total.Ainda assim, cerca de 1.200 empresas de capital alemão estão instaladas no Brasil, representando um faturamento de US$ 33 bilhões. Juntas, as empresas alemãs já investiram no País perto de 19 bilhões de dólares até 2001. A expectativa oficial é de que nos próximos cinco anos mais 100 empresas alemãs se instalem no País. Muller admitiu que muitos foram surpreendidos pela envergadura da crise argentina, justamente porque não se pensou na ausência das reformas estruturais. Ele disse que o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que deveria ter agido mais cedo. Muller pediu ao presidente Eduardo Duhalde, da Argentina, que faça logo as reformas estruturais de que o país precisa, pois será o primeiro passo para sair da crise e contar com o apoio da comunidade internacional.O ministro alemão disse estar muito impressionado com a resistência do Brasil à crise argentina. Esse descolamento foi uma forma de o Brasil enviar sinais animadores aos investidores internacionais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.