Alemanha recebe 15% mais de imigrantes

No 1º semestre foram 500 mil vindos, principalmente, de Grécia, Espanha e Portugal

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h56

A Alemanha volta a se transformar no país de destino de milhares de imigrantes do sul da Europa, em busca de trabalho. Dados oficiais divulgados pelo governo alemão apontam que, apenas no primeiro semestre, a entrada de estrangeiros no país aumentou em 15% em comparação com 2011. No total, cerca de 500 mil imigrantes cruzaram as fronteiras para viver na Alemanha entre janeiro e julho deste ano. Por dia, quase 90 gregos desembarcam nas cidades alemãs em busca de trabalho.

Com uma taxa de desemprego abaixo de 6%, a economia alemã é uma das poucas que dá algum sinal de resistência à recessão. Ainda assim, as previsões apontam para um crescimento fraco em 2012, com menos de 1% de expansão do PIB.

Mas a situação é bem melhor do que a dos países do sul da Europa. A Grécia entrará em 2013 no quinto ano de recessão consecutiva, tendo perdido 25% do PIB desde o começo da crise. Hoje mais de 20% da população está desempregada e aqueles que trabalham estão sendo obrigados a aceitar redução nos salários.

Apenas no primeiro semestre, a migração de gregos para a Alemanha aumentou em 78%. Quase 16 mil gregos oficialmente pediram residência nas cidades alemãs em seis meses, uma média de 88 por dia.

Se até poucos anos a Alemanha era o destino de imigrantes de fora da Europa, hoje os próprios europeus são atraídos pelo país. "O forte aumento da imigração de países europeus particularmente afetados pela crise financeira foi registrado nos primeiros seis meses do ano", afirmou o governo, em um nota.

O aumento em relação a 2011 foi de 66 mil pessoas, fazendo o total atingir 501 mil novos imigrantes. Nesse período, 318 mil pessoas deixaram o país, o que faz a conta final ser de 182 mil estrangeiros. O número é 35% superior ao registrado em 2011.

A chegada de espanhóis e portugueses aumentou em 53% em 2012, com mais de 11 mil pessoas. Na Espanha, pela primeira vez, cursos de alemão têm sido mais procurado que os de inglês. Repetindo o mesmo fluxo do pós-guerra, levas de portugueses estão optando por trabalhar na Alemanha, mesmo como operários da construção civil, garçons ou outros serviços.

Do Leste Europeu, a leva também não para de aumentar. Só neste ano, 89 mil poloneses optaram por viver na Alemanha. A Hungria, que também atravessa uma longa recessão, registrou um aumento de 46% no número de jovens emigrando para as cidades alemãs em 2012. No ano passado, o país registrou a eliminação de 40 mil postos de trabalho.

O governo alemão estima que a onda de novas levas de imigrantes deve perder força na segunda parte do ano. Isso porque o país acabou sofrendo com a crise. Dados apontam que a economia alemã cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre e algumas projeções estimam contração nos últimos três meses do ano.

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