Alemanha redireciona exportação para mercados emergentes

Com a zona do euro em crise, vendas para China cresceram 10% no primeiro semestre e para o Brasil, 11,7%

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h08

Com uma Europa em recessão, a Alemanha é obrigada a redirecionar suas exportações para fora do continente e, em especial, para os mercados emergentes. Dados divulgados ontem por Berlim apontam que as vendas do país para o sul da Europa despencaram no primeiro semestre do ano. Já para os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), a expansão foi de 10% e 11,7% para o Brasil. Ontem, a China deu uma demonstração disso: aproveitou a visita da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para comprar 3,5 bilhões em 50 aviões da Airbus.

A Alemanha tem conseguido evitar a recessão em grande parte graças às exportações. Mas nunca, nos últimos 50 anos, o peso da Europa para as vendas alemãs foi tão baixo quanto agora. Há um ano, 42% de tudo o que a Alemanha exportava ia para a zona do euro. Hoje, essa taxa é de 39% e a tendência é de nova queda em 2013.

Os dados mostram que as exportações para Portugal despencaram 14,3%, contra uma queda de 9,3% para a Espanha, 9,2% de redução para a Grécia e 8,2% para a Itália, o terceiro maior mercado europeu.

De forma geral, as exportações para a zona do euro sofreram queda de 1,2%. O recuo foi compensado pelos mercados fora do bloco, o que permitiu ainda assim um incremento de 4,8% nas vendas no semestre.

Aos países do Bric, a alta foi de 10% e, juntos, os emergentes já compram 63 bilhões em produtos alemães, valor superior ao que a França importa do vizinho. Para a Rússia, a alta foi de 14,8%, contra 11,7% no caso das vendas para o Brasil, num total de 6 bilhões no primeiro semestre. Para a China, a alta foi de 8,4%. Em 15 anos, as vendas alemãs para as economias emergentes se multiplicaram por dez.

Um aumento de 20% das vendas para o Japão e de 18% para os Estados Unidos também revelam como a Alemanha tem garantido sua economia em grande parte graças à recuperação fora do continente.

Sob pressão. Isso não significa que a pressão não começa a ser sentida. A taxa de desemprego sofreu seu quinto aumento consecutivo em agosto, com 6,8% de desemprego. Mas ainda assim bem abaixo da média da região e o menor em duas décadas. O número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou pelo quinto mês seguido em agosto como resultado da desaceleração na economia. No segundo trimestre, a Alemanha registrou uma expansão de apenas 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB), desaceleração em comparação a 0,5% do primeiro trimestre.

Merkel viajou à China numa tentativa de fortalecer as relações entre a maior economia da Europa e o país mais populoso do mundo.

O comércio entre os dois países tem crescido solidamente desde a última década. O volume total foi de cerca de 144 bilhões em 2011, alta de 10% em relação ao ano anterior. Além disso, empresas alemãs investiram 26 bilhões na China no ano passado, enquanto o investimento chinês na Alemanha foi de 1,2 bilhão. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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