Alemanha tem o menor desemprego em 18 anos

Número de trabalhadores sem emprego também cai na França; confiança de executivos e consumidores da zona do euro chega ao nível mais alto em 27 meses

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Depois da boa recepção pelo mercado financeiro dos testes de estresse do setor bancário, a União Europeia comemorou ontem a melhora das estatísticas de desemprego em suas duas maiores economias. Enquanto a Alemanha registrou em julho seu 13.º mês consecutivo de aumento do mercado de trabalho, alcançando o menor porcentual de desemprego desde 1992, a França reverteu a recente tendência de aumento, com melhora de 0,3%.

As estatísticas reforçaram o otimismo de Bruxelas, refletido também no índice de confiança dos chefes de empresas e de consumidores da zona do euro, que atingiu seu nível mais elevado em 27 meses.

Entre os dados positivos, a informação mais relevante foi a redução do desemprego na Alemanha, que em julho recuou a 7,6% da população ativa, melhor índice obtido pelo país em 18 anos. Em junho de 2009, a taxa atingia 8,3%. Com a criação de 20 mil novos empregos, o país conta agora com 3,2 milhões de trabalhadores sem vagas, segundo o Escritório Federal do Trabalho.

Para Holger Schäfer, economista do Instituto Econômico IW Köln, de Colônia, o momento é, em termos gerais, promissor, mas o país enfrenta problemas com o desemprego de longa duração e ainda precisa avançar mais. "A evolução é muito positiva, mas com um desemprego de 7,6% a Alemanha ainda está longe do pleno emprego, que poderíamos estimar em 4%."

A melhoria do mercado de trabalho também foi registrada na França, segunda maior economia da Europa. Em julho, o número de desempregados caiu 0,3%, com a abertura de 8,6 mil vagas, segundo o Ministério do Trabalho. O país conta agora com 2,69 milhões de trabalhadores sem emprego. A boa notícia, porém, não é completa, porque nos últimos 12 meses o desempenho do mercado ainda é negativo: aumento de 6,9% do desemprego. "Ficamos satisfeitos, mas não baixaremos os braços. Vamos continuar a melhorar", garantiu a ministra da Economia, Christine Lagarde. Segundo ela, o mercado de trabalho está próximo da estabilização e deve começar a melhorar com constância a partir deste segundo semestre, com mais crescimento.

O otimismo dos dirigentes políticos também foi reforçado pela revelação do Indicador de Sentimento Econômico (ESI) da Comissão Europeia, ontem, em Bruxelas. Segundo o levantamento, a confiança de empresários e consumidores continua a melhorar na zona do euro.

O resultado é puxado pela Alemanha (mais 4 pontos) e pela França (2,6 pontos), mas se reproduz em toda a zona do euro (2,3 pontos) - com exceção da Espanha. Segundo Bruxelas, o índice é o mais positivo desde março de 2008 e o momento é marcado por "mais otimismo sobre a situação econômica geral e por uma redução significativa dos temores sobre o emprego na Alemanha e na França". As notícias repercutiram ontem nas bolsas. No mercado de câmbio, o euro chegou ao nível mais elevado desde 10 de maio, a US$ 1,31.

Segundo a consultoria Exane BNP Paribas, os dados podem indicar uma retomada mais sólida do crescimento. "A elevação da atividade na zona do euro, típica de uma fase de retomada, se explica pela necessidade das empresas de voltar a investir, após uma pausa de dois anos e meio", afirmam os experts do banco, citando setores como semicondutores e informática, que reiniciam um processo de aquisição de equipamentos para atender à demanda por produção.

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