JOHANNES EISELE/AFP
JOHANNES EISELE/AFP

Alemanha investiga Volkswagen por manipulação de mercado

Regulador avalia se houve negociação irregular das ações da companhia antes do comunicado de uma fraude envolvendo 11 milhões de veículos

O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 11h34

O órgão supervisor financeiro da Alemanha, BaFin, disse nesta quarta-feira, 23, que está investigando se a Volkswagen deveria ter revelado informações sobre o escândalo das emissões de poluentes antes do que foi anunciado. O regulador também avalia se o atraso poderia ter levado à negociação irregular das ações da fabricante de automóveis, que caíram acentuadamente nos últimos dois dias.

A Volkswagen anunciou que até 11 milhões de veículos seus em todo o mundo poderão ser afetados por um software supostamente usado para burlar testes de emissões de poluentes.

Notícias da investigação vieram em meio a uma reunião de membros do conselho de supervisão da Volkswagen, que devem discutir a crescente crise na empresa que, na terça-feira, anunciou planos de fazer uma provisão de € 6,5 bilhões (US$ 7,27 bilhões) neste trimestre, o que forçará a empresa a reduzir sua projeção de lucro para este ano.

O BaFin, com sede em Frankfurt, está analisando a evolução do mercado para acusações de possível abuso de informação privilegiada ou alguma outra manipulação. Um porta-voz da BaFin disse que a investigação é "de rotina" e que não houve conclusões antecipadas. 

Como parte da investigação, a Volkswagen será questionada até que ponto o conselho executivo sabia sobre a questão das emissões e o quanto as pessoas sabiam, disse o porta-voz.

A agência também vai olhar para o calendário de declarações da Volkswagen sobre a questão porque qualquer informação relevante para o mercado tem que ser divulgada imediatamente.

O escândalo ambiental envolvendo a montadora alemã teve início nos Estados Unidos na sexta-feira, quando a Agência de Proteção Ambiental acusou a Volkswagen de usar o software para fraudar testes de emissões em veículos a diesel. De acordo com os reguladores norte-americanos, a Volkswagen tinha conhecimento do problema há algum tempo, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

A Volkswagen primeiro abordou a questão publicamente no domingo, quando o presidente-executivo, Martin Winterkorn, pediu desculpas. Ontem, ele reconheceu a má conduta e disse que o software utilizado para contornar as emissões nos testes poderiam afetar 11 milhões de veículos.

As ações da Volkswagen fecharam em queda de 19% na segunda-feira e chegaram a cair mais de 20% na terça-feira, em resposta à crise. No entanto, as ações da companhia sobem mais de 6% na negociação desta quarta-feira, 23.

Os investidores estão agora à espera de atualizações, com a reunião de membros do conselho de supervisão da companhia na próxima sexta-feira.

Na semana passada, era esperado que os membros do conselho aprovassem uma extensão do contrato do presidente executivo da companhia, Winterkorn. No entanto, agora há dúvidas sobre sua permanência no cargo.

Na França, a ministra do Meio Ambiente, Ségolène Royal, pediu um sistema de testes mais transparente e disse que o uso de incentivos fiscais de energia limpa para vender carros com testes enganosos de emissões é equivalente a roubar dinheiro do governo.

"Os consumidores, trabalhadores da indústria automobilística e o governo são todos vítimas da crise de emissões da Volkswagen", disse Royal, depois de se reunir com o presidente da França, François Hollande. A ministra disse que o governo também estava investigando se a fraude fiscal foi cometida por qualquer fabricante que se aproveitou de incentivos fiscais para impulsionar as vendas de carros ostensivamente com baixas emissões. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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