Alencar afirma que não há contradição com Lula sobre economia

O vice-presidente da República e presidente em exercício, José Alencar, afirmou hoje que não há contradição entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o desempenho da economia brasileira no ano de 2003. Na semana passada, Alencar havia dito que, na área econômica, o ano está perdido e foi contestado por Lula, que afirmou dias depois que "este é o ano em que consertamos o Brasil". O vice-presidente, no entanto, frisou que é um pouco mais "apressado" porque possui uma cultura "empresarial". "Eu não contrario, de forma alguma, o que disse o presidente", salientou Alencar, durante entrevista ao programa Primeira Página, da TV Alterosa e do jornal Estado de Minas. "O que eles falam é que o ano foi para consertar o Brasil. De fato é verdade. Se não houvesse o ataque ao combate à inflação, com rigor, tudo se teria perdido, porque a inflação recrudescia no final do ano passado".Contudo, para corroborar sua tese de "ano perdido", o vice-presidente voltou a fazer uma comparação entre a previsão de crescimento da economia neste ano com as baixas taxas registradas nos anos 80 e 90, segundo ele, "décadas perdidas". "Eu sou um pouco mais apressado. A minha cultura é toda empresarial. Eu penso que se deixar passar da hora fica mais difícil", disse Alencar. JurosEmbora sem a mesma contundência demonstrada em ocasiões anteriores, o vice-presidente voltou a criticar a política monetária. "O Brasil é um espetáculo ainda que sem crescimento. Com crescimento então...", afirmou, ao ser questionado sobre quando a expressão do presidente poderá se tornar realidade.Para Alencar, o problema dos juros altos é "cultural" no Brasil e teve origem nos períodos de inflação elevada. "As taxas reais são as mais altas do mundo. A taxa básica Selic, ela hoje, mesmo a 22% ao ano, é, em determinados casos, 20 vezes superior às taxas de determinados países", afirmou. O vice-presidente, entretanto, ponderou mais uma vez ao dizer que o governo Lula recebeu uma "herança" que exigia um tratamento rigoroso para evitar o "recrudescimento inflacionário".Alencar não fez nenhum comentário específico sobre a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que na semana passada anunciou a redução de 2,5 pontos na Selic ? de 24,5% ao ano para 22% ao ano. Ele, porém, admitiu que a queda dos juros básicos da economia "não se faz com uma vontade". "É preciso que o Brasil recomponha condições para fazê-lo. E para isso temos de exportar, construir grandes saldos de balança comercial, elevar os saldos em transação corrente".

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