Alencar amplia alvos comerciais do Brasil na China

O Brasil ampliou suas ambições comerciais com a China durante a visita oficial do vice-presidente, José Alencar, ao gigante asiático. Na manhã desta terça-feira, houve em Xangai - o coração financeiro do país - um encontro entre empresários dos dois países para tratar das novas oportunidades.Participaram da reunião dez empresas brasileiras e 22 empresários chineses das províncias mais desenvolvidas do país, entre eles os diretores de gigantes estatais, como as companhias aéreas China Eastern Airlines e Xangai Airlines, e o grupo alimentício Xangai Sugar, Cigarrete & Wine Co.Em homenagem ao gerente geral desta última empresa, Ge Junjie, Alencar acendeu um charuto de fabricação chinesa e indicou setores comerciais nos quais o Brasil tem muito a oferecer à China, como o farmacêutico - sobretudo nos tratamentos contra a aids -, o automobilístico, o cafeeiro e o açucareiro."O Brasil é o país com menor custo de açúcar no mundo, US$ 160 por tonelada, por isso exporta 45% do açúcar mundial", afirmou o vice-presidente, alegrando-se com o fato de o consumo de açúcar na China estar aumentando nove quilos por pessoa ao ano e chegando a 25 quilos em grandes cidades como Pequim e Xangai.FerroA Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) fornece sozinha 25% de todo o ferro que a China consome (250 milhões de toneladas), uma quantidade que está aumentando, destacou Renato Amorim, diretor da empresa.Amorim confirmou à EFE que sua presença na China, acompanhando Alencar, não influirá nas negociações atuais dos preços mundiais do ferro, que "não são feitas no nível governamental, mas apenas entre as empresas".No último dia 15, a China garantiu que neste ano não aceitaria uma alta nos preços do ferro, negociada pelos grandes produtores mundiais, entre eles a Vale do Rio Doce, maior produtora do planeta, e a chinesa Baosteel, maior siderúrgica do principal país produtor e importador de aço mundial.AcordoAo concluir o encontro, Alencar disse que na noite da última segunda-feira firmou um acordo com o prefeito de Xangai, Han Zheng: "Nós vamos iniciar os chineses nos segredos do futebol, e eles nos vão passar os segredos de seu crescimento".PropostaNa última segunda-feira, o Brasil recebeu uma proposta da China para desenvolver, junto com a Índia e a Rússia, um protocolo de televisão digital próprio, alternativo aos modelos europeu e japonês, segundo o secretário-executivo do Ministério da Cultura brasileiro, Juca Ferreira.A China conta com um protocolo próprio, que adotará para assegurar sua independência nesta nova tecnologia e manter o controle direto sobre todos os aspectos de sua indústria de produção de conteúdos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.