Alencar critica juros altos no País e alerta consumidor

Vice-presidente adverte população para que fique atenta e não faça financiamentos que não possa pagar

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

25 de março de 2008 | 15h02

O vice-presidente da República, José Alencar, voltou a reclamar nesta terça-feira, 25, das altas taxas juros vigentes no País, e as chamou de "criminosas". Depois de inaugurar a sua foto na galeria de ex-ministros da Defesa, Alencar advertiu a população que está tendo acesso aos créditos de longo prazo para que fique atenta e não faça financiamentos que não possa pagar. Na opinião de Alencar, são essas altas taxas de juros que ainda colocam o Brasil como um país de risco, apesar de ter pago a dívida com o FMI e dispor de quase US$ 200 bilhões de reservas. Veja também:Crédito no País cresce 27,9% em 12 meses até fevereiro O vice-presidente preferiu não definir como "armadilha" os financiamentos de longo prazo para a aquisição de carros novos. "Você é que está chamando (de armadilha)", disse o vice, dirigindo-se a um dos jornalistas. "O que eu acho é que nós temos de fazer um alerta, para evitar que o cidadão não caia em uma situação da qual ele não possa sair", declarou. "O que nós devemos ter o cuidado, e o ministro (da Fazenda, Guido Mantega) tem razão, por exemplo, é que esta grande crise nos Estados Unidos foi provocada por um crédito exagerado. E nós não podemos permitir as coisas exageradas; não podemos permitir", acrescentou. Muito cuidadoso para evitar polemizar com a área econômica, José Alencar não quis responder se houve exagero por parte do governo na liberação de longos prazos de financiamento para compra de bens. "O consumidor é um incauto. É um coitado que vai comprar um bem, de valor desconhecido, que tem aquela vontade de adquirir", comentou o vice-presidente. Segundo ele esse consumidor "não sabe em que encrenca está entrando, porque uma taxa de juros de 5% ao mês é igual a 80% ao ano, a de 8% ao mês é de a 150% por ano e a de 3% de é 42% ao ano". "Tudo isso é um crime, na minha opinião, mas é o mercado. Então, tem de haver cuidado com isso.", observou. Para o vice-presidente a melhor forma de combater a inflação é estimular o crescimento da produção, em todos os setores de atividade e aumentar a importação. "A situação no Brasil é muito boa, temos muitas divisas, e podemos importar para desencorajar qualquer tipo de especulação advinda de uma falta de produtos ou de uma demanda aquecida", afirmou. Em seu discurso, José Alencar lembrou das "corretas preocupações" do governo com o fim da CPMF, que poderiam comprometer os recursos para saúde e para as rodovias. Mas, advertiu que há uma outra preocupação que não pode ser esquecida, que é a recomposição das Forças Armadas. "Temos de fazer com que isso aconteça, e com urgência", disse ele, ao comentar que esta é uma necessidade para o tamanho do País e as fronteiras que o Brasil possui.

Tudo o que sabemos sobre:
JurosJosé Alencar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.