Alencar diz que política de juros do País é 'equivocada'

Para o presidente em exercício, juro brasileiro nominal deveria cair para 'no máximo uns 5%'

Raquel Massote, da Agência Estado,

21 de abril de 2008 | 15h20

O presidente da República em exercício, José Alencar, aproveitou a cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto (MG), feita pelo governo de Minas Gerais, para criticar novamente a política de juros altos do Brasil, chamada por ele de "equivocada". Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, aprovou um aumento de 0,50 ponto porcentual e a taxa básica de juros passou de 11,25% para 11,75%. Alencar lembrou que a economista Maria da Conceição Tavares chegou a chamar a política monetária "de imbecil". "Eu tenho falado que ela é equivocada, ainda não cheguei a esse adjetivo, mas ao lado dela (Maria da Conceição) estarei bem acompanhado porque é um das que mais conhece de economia", disse. Em entrevista logo após a solenidade, Alencar destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dado um exemplo de trabalho inigualável, no que diz respeito ao equilíbrio orçamentário e respeito fiscal. "O único erro que eu acho e me bato contra é a política monetária", insistiu. De acordo com ele, por causa das altas taxas de juros, o país está fazendo uma transferência brutal de renda do trabalho para o sistema financeiro. No máximo 5% Para o presidente em exercício, as taxas básicas teriam que cair para um padrão de mercado internacional. "Isto do ponto de vista nominal seria, no máximo, uns 5%, porque a taxa básica real média do mundo é menos de 1%." Na próxima quinta-feira, 24, será divulgada a ata da última reunião do Copom, na qual analistas e investidores deverão buscar sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária. Alencar, convidado para ser o orador da solenidade, comparou a política de juros com a derrama, impostos cobrados pela Coroa Portuguesa, à época em que o Brasil ainda era colônia, sobre a exploração de ouro. A insatisfação gerada pela cobrança culminou no movimento da Inconfidência Mineira. "Vejo hoje nos bilhões e bilhões repassados para o sistema financeiro o seqüestro de nossas esperanças e o adiamento de nossas aspirações legítimas e urgentes. Esta ainda não é a pátria que Tiradentes sonhou e, mais do que isso, pela qual morreu", disse. A solenidade de entrega das medalhas, principal comenda do Estado, marca o encerramento da Semana da Inconfidência. Neste ano foram homenageadas 254 personalidades. Na Praça Tiradentes, no centro da cidade, o público foi estimado em 3 mil pessoas.

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