Alencar volta à carga contra política econômica

O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, reafirmou sua posição contrária à atual política monetária que, segundo ele seria uma continuidade do governo anterior, que já dura dez anos. "Eu sou contra essa política. O nosso discurso de campanha, de fato, não assumiu o poder", afirmou, em tom pré-eleitoral, em entrevista ao "Canal Livre", da TV Bandeirantes. Alencar argumentou que uma das razões de a coligação ter saído vitoriosa nas eleições foi exatamente o combate àquela política. "Aquele era o nosso compromisso, era a razão de ser do nosso trabalho." Apesar do tom de campanha e da recente filiação ao Partido Municipalista Renovador (PMR), ligado à Igreja Universal, o vice-presidente garante não ter aspirações eleitorais. "Eu não sou candidato. Então, eu não posso, não sendo candidato, sair por aí organizando trabalhos de coligações, ou coisas que o valha", salientou Alencar. Porém, ao ser questionado sobre o encontro que manteve com os mineiros Itamar Franco e Aécio Neves, esquivou-se. "Foi um almoço de três amigos." Porém, admitiu a preocupação dos conterrâneos em se contrapor aos candidatos paulistas. "Há no momento uma preocupação, sim, de Minas, porque Minas não pode ficar alheia ao processo eleitoral que se avizinha", justificou lembrando que o Estado concentra o segundo maior colégio eleitoral do País. Alencar, apesar disso, garante não existir uma aliança contra os candidatos paulistas. "Eu não tenho nada contra São Paulo", frisou. "Agora, é claro que a hegemonia não deve estar concentrada apenas num Estado da Federação." Política monetária - Em um outro trecho da entrevista, José Alencar voltou à carga contra a política monetária, que classificou de "irresponsável". "Eu tenho lutado, porque eu acho que ainda há tempo de nós adotarmos uma política monetária responsável", ponderou. "Eu considero esta política irresponsável porque é responsável pelo déficit. E o déficit advém praticamente de um item, que são os juros, situados em um patamar dez vezes superior à média internacional", criticou o vice-presidente. O vice-presidente salientou ser "irresponsabilidade fiscal" administrar um orçamento deficitário, o que, segundo ele, provocou a elevação da dívida de 27% do PIB, há dez anos, para mais de 50% do produto nacional nos dias de hoje. "Isso está errado. E há tempo de mudar." Reeleição - Alencar acha que, mais do que as questões partidárias, o que vai contar nas próximas eleições é a discussão sobre a ética. Apesar da crise política, ele não descarta as chances de reeleição do presidente Lula que, segundo avalia, é maior do que a crise e maior do que o PT. "Diante desta crise que nós estamos atravessando, vemos os números que contemplam a aceitação e a aprovação ao presidente Lula", ponderou. "Só mesmo um cidadão que possui a popularidade que ele possui, a credibilidade, a respeitabilidade que ele possui para obter esses números, depois disso tudo."

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