Alencar volta a falar em juros em reunião com mineiros

O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, relatou há pouco que o vice-presidente José Alencar voltou a defender a redução dos juros praticados no País, num encontro com políticos e empresários mineiros. "O vice-presidente colocou que sempre defendeu essa tese de redução dos juros, mas ponderou que a decisão (de reduzi-los) é de competência e responsabilidade da equipe econômica", relatou. Adauto negou que Alencar o tenha alertado para uma possível saída do Ministério, em função das críticas do vice-presidente aos juros altos. O ministro, que é do mesmo partido que Alencar, afirmou que não tem "apego a cargo nenhum". O senador Aelton Freitas (PL-MG), que assumiu a vaga de Alencar no Senado, relatou também que, na conversa, o vice-presidente afirmou a seus interlocutores que seu trabalho não é em causa própria. "A minha empresa (a Coteminas) é aplicadora de recursos, e não tomadora", teria dito Alencar, segundo o senador. Ele disse, também, que Alencar voltou a afirmar que a atual taxa básica de juros (Selic, atualmente em 26,5% ao ano) dobra a cada três anos, enquanto todo bom negócio só consegue ser pago cinco anos após ser montado. "O vice demonstrou estar preocupado especialmente com os novos empresários, que não conseguem pagar taxa de 26,5%", disse Freitas. Ainda segundo ele, Alencar estimou que o País está pagando 10% a mais de juros do que deveria, o que, em valores, segundo ele, representa cerca de R$ 100 bilhões por ano. Boas relações com LulaO prefeito de Itapagipe (MG), Jerônimo Donizete da Silva (PL), que também participou do encontro com Alencar, disse que este avaliou que sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está desgastada por suas declarações a favor da redução dos juros. "Não existem conflitos com o presidente Lula, mas apenas manifestações que levam em conta a minha experiência no setor produtivo", teria afirmado Alencar, segundo ele. "O presidente Lula sempre soube das minhas posições". O vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Antônio Valério, relatou que Alencar fez também críticas ´à herança´ que o governo Lula recebeu do governo anterior e que todos, no governo, esperam poder entregar o País em melhor situação, ao término de seu mandato. Observou, também, que a taxa de juros, além de prejudicar o setor produtivo, causa desemprego.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.