Alerta da Moody's à França cria polêmica

Agência destaca o custo do financiamento da dívida francesa e provoca reações

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h06

As notícias negativas na Europa começaram ainda pela manhã, quando a polêmica em torno da nota dos títulos da dívida soberana francesa teve um novo episódio. A agência Moody's divulgou comunicado mantendo o viés "estável" do triplo A, mas chamando a atenção para o recente aumento do custo de financiamento da dívida - cujos juros giram agora em torno de 2,8%.

Segundo Alexander Kockerbeck, analista da Moody's que assinou o comunicado, as "implicações de crédito negativas" podem resultar em baixa da avaliação do país, que seguirá em observação por mais dois meses.

"As medidas de austeridade fiscal aumentam a pressão fiscal, já elevada, e podem comprometer o crescimento, o que poderia exigir mais austeridade fiscal e medidas de reformas econômicas", diz Kockerbeck, advertindo: "O modelo social francês não pode ser financiado se o potencial da economia francesa não for preservado".

A avaliação teve efeito imediato nos mercados, onde os juros da dívida da França subiram 20 pontos, elevando também o preço do seguro - o Credit Default Swaps (CDS) -, que atingiu recorde.

Fiador. O suposto rebaixamento da França, que seguiria os Estados Unidos - já rebaixado pela agência Standard & Poor's -, reduziria de seis para cinco os países da zona do euro beneficiados com a avaliação. E, o mais grave, prejudicaria a capacidade do país de manter sua parceria com a Alemanha.

Os dois líderes da União Europeia até aqui usaram seu poder de fogo econômico para garantir as dívidas de países em crise, como Grécia, Irlanda e Portugal.

Em resposta, o ministro da Economia, François Baroin, reagiu reafirmando que considera as condições de financiamento do país "muito favoráveis". O executivo também elogiou o próprio programa de austeridade fiscal, afirmando que o governo fará um esforço total de € 115 bilhões entre 2011 e 2016, com vistas ao equilíbrio fiscal em 2016.

O hipotético rebaixamento da França vem provocando controvérsia na Europa. Ontem, Charles Dallara, diretor do Instituto Internacional de Finanças (IIF), o órgão que representa 400 bancos, fundos e seguradoras, disse "não ver razão" para o rebaixamento. Já Jean-Claude Jucker, presidente do Eurogrupo - o fórum de ministros de Economia da zona do euro -, ponderou que uma eventual perda do triplo A da França resultaria também na perda do triplo A para o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), órgão recém-criado para administrar a crise das dívidas e cujas atribuições ainda nem foram completamente regulamentadas.

Estados Unidos. Além da França, os investidores especularam ontem sobre as possibilidade s de o comitê formado por representantes democratas e republicanos não conseguir um consenso para reduzir o déficit do governo americano.

O comitê foi encarregado de definir cortes de US$ 1,2 trilhão em dez anos, mas até agora não conseguiu um acordo sobre o tema. Os prazo dos 12 deputados e senadores vai até amanhã.

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