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Alexandre Camillo na Susep

No final da semana passada, o governo nomeou Alexandre Camillo o novo superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Foi uma mudança radical e altamente positiva para o setor de seguros

Antonio Penteado Mendonça*, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2021 | 04h00

No final da semana passada, o governo nomeou Alexandre Camillo o novo superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Foi uma mudança radical e altamente positiva para o setor de seguros.

Depois de um período complicado, sob o comando de Solange Vieira, que não tinha noção do que é seguro, mas que ficou como superintendente do começo do governo Bolsonaro até o final da semana passada, a nomeação de Alexandre Camillo é um alento para o setor de seguros.

Ao contrário da ex-superintendente, ele é um homem do meio, com longa carreira, primeiro em seguradora e depois como corretor de seguros. Até sua nomeação para Superintendente da Susep, Alexandre Camillo era o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo, o maior e mais importante sindicato da categoria em todo o território nacional.

Sua chegada é extremamente importante para a atividade. Ele terá, de cara, que desarmar algumas bombas que foram deixadas pela antiga gestão e que têm potencial de causar danos irreversíveis ao setor.

Entre elas, merece destaque o “Open Insurance”, uma aventura sem nada parecido nos países desenvolvidos, mas que aqui vai sendo vendida como a panaceia para o futuro do seguro, apesar de ninguém saber muito bem o que é ou como vai funcionar.

O “Open Insurance” desconsidera completamente o corretor de seguros, responsável por mais de 80% da comercialização dos produtos do setor e peça integrante do Sistema Nacional de Seguros Privados, deixado de lado pela Susep, em nome de uma nova figura, chamada “Sociedade Iniciadora de Negócio de Seguros”, que não existe em nenhum outro país, que também não tem desenho claro, mas que aqui vai dando espaço para muita discussão e interesse.

Camillo é das mais lúcidas e competentes lideranças dos corretores de seguros. Por isso mesmo, conhece profundamente o setor e tem ótima interlocução com todos os players da atividade. Com certeza, ele enfrentará o tema de forma profissional, trazendo o bom senso, até agora ausente, para o centro da discussão.

Para quem precisa de mais informações para formar opinião sobre o novo superintendente, ele assumiu o Sindicato dos Corretores de São Paulo num momento de crise profunda. A entidade estava quase desmontada, mal avaliada, administrativamente desestruturada, sem interlocução com o mercado e em condições econômico-financeiras bastante precárias.

Em pouco tempo, com enorme habilidade, ele reconstruiu a credibilidade do sindicato, reorganizou a administração, recalibrou a parte financeira, passou a prestar serviços importantes para os associados e resgatou uma dimensão política há muito tempo perdida, estreitando laços com o governo do Estado, a Prefeitura, a Susep, os órgãos legislativos nos três níveis de governo e o Poder Judiciário. 

Pelo histórico, Alexandre Camillo é o nome certo, no lugar certo, no momento certo. Com ele, o setor deve ter segurança para seguir em sua jornada.

* SÓCIO DE PENTEADO MENDONÇA E CHAR ADVOCACIA E SECRETÁRIO-GERAL DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

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