Algar, Bunge e Cargill são multadas por comprar grãos de produção ilegal

As tradings agrícolas Bunge e Cargill, que figuram entre as maiores empresas do setor, foram multadas pelo Ibama por terem adquirido milhares de sacas de grãos produzidos em terras que estavam embargadas pelo órgão, por conta de irregularidade ambiental.

André Borges, Estadao Conteudo

23 Maio 2018 | 16h58


A Cargill foi autuada em R$ 5 milhões por ter comprado 10 mil sacas de 60 quilos de soja produzidas na região de Balsas, no Maranhão. No caso da Bunge, a multa foi de R$ 1,870 milhão, por ter adquirido 3.741 sacas na mesma região.


Outras três tradings de grãos foram alvos da Operação Shoyo, realizada pelo Ibama, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF). A maior autuação foi aplicada contra a Uniggel, no valor de R$ 13,255 milhões, pela compra de 26.510 sacas de soja em Porto Nacional, no Tocantins. A ABC Inco, ligada ao Grupo Algar Agro, recebeu multa de R$ 4,367 milhões pela aquisição de 8.734 sacas em Balsas (MA). Na mesma região, foi autuada a JJ Samara Agronegócios Eireli, com multa de R$ 110 mil pela compra de 220 sacas de 60 quilos de soja produzida sobre área embargada.


Ao todo, o Ibama informou que emitiu 62 autos de infração contra empresas e produtores rurais que descumpriram embargos de áreas ilegalmente desmatadas nos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. As multas totalizam R$ 105,7 milhões.


Por meio de nota, a Bunge declarou que "apresentou sua defesa na qual estão comprovadas as boas práticas da empresa na aquisição de grãos, baseadas nas diversas consultas às bases de dados públicas relativas a áreas embargadas, o que atesta a regularidade da compra alvo da autuação".


A empresa afirmou que apoia iniciativas do Ibama, como a "moratória da soja" e que "sempre pautou suas ações respeitando a legislação ambiental, bem como suas diretrizes internas e sua política global de não-desflorestamento".


A Cargill informou que, até o momento, não foi notificada pelo Ibama a respeito de irregularidades na compra de soja na região do Maranhão. "A empresa reforça que irá apurar os fatos e prestar os esclarecimentos necessários quando tiver acesso às informações da referida autuação", declarou.


A Algar Agro, dona da ABC Inco, afirmou que "já apresentou sua defesa onde comprova suas boas práticas na compra de grãos, baseadas nas diversas consultas aos dados do Ibama, o que atesta a regularidade de suas relações comerciais".


A empresa informou que "dispõe de controles rígidos e de um sistema de compliance acompanhado sistematicamente para garantir o cumprimento de todo o ordenamento legal vigente, onde se incluem as normas ambientais fiscalizadas pelo Ibama".

A JJ Samara Agronegócios Eireli afirmou que foi erroneamente autuada. “Houve equivoco da fiscalização, pois em nenhum momento a empresa praticou atos que se enquadrem ao referido dispositivo, o qual prevê multa para empresas que adquirem, intermediam, transportam ou comercializam produto produzido sobre área objeto de embargo”. 


A empresa declarou que “nunca praticou tais condutas, mas apenas armazenou produto de terceiro em período chuvoso, quando desconhecia qualquer informação a respeito da origem da carga, sendo que o armazenamento não é conduta descrita no dispositivo que embasou a autuação”.


A Uniggel não se posicionou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.


Além das cinco tradings, a operação encontrou ilegalidades associadas a 73 pessoas físicas e jurídicas, com problemas identificados em 77 imóveis.


 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.