Algar Telecom descarta venda no curto prazo

Assediada por rivais, operadora passou a ser comparada por analistas à GVT, vendida para Telefônica em setembro

REUTERS, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 02h05

Com a perspectiva de consolidação do setor de telecomunicações brasileiro, a operadora Algar Telecom tem sido alvo de constante assédio de concorrentes, mas descarta qualquer venda no curto prazo, disse à Reuters o presidente da empresa, Divino de Souza.

Fundada em 1954 em Uberlândia (MG), a Algar opera telefonia fixa e móvel, Internet, TV paga, data center e computação em nuvem para residências e empresas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal.

"Somos assediados constantemente para aquisição. Mas, por enquanto, a posição dos acionistas controladores é de não vender", disse Souza. Apesar de ser uma empresa de médio porte - fechou o segundo trimestre com receita líquida de R$ 560 milhões - a Algar tem participação considerável em alguns mercados, segundo dados de agosto da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Esse é o caso da banda larga fixa, onde a empresa tem fatia de 1,74%, acima da TIM Participações (0,59%). Na telefonia móvel e na TV paga, a participação é menor, de 0,40% e 0,66 %, respectivamente.

Comparação. Especialistas do setor comparam a Algar com a GVT, por ser uma operadora média que ganhou mercado nos últimos anos. A operadora de banda larga GVT foi recentemente adquirida pela Telefônica num negócio de US$ 9,3 bilhões.

Souza diz ver com naturalidade a consolidação no setor, mas que a fusão Telefônica-GVT não afetará os negócios da Algar. "Como somos focados em um nicho. As grandes fusões nos afetam pouco", disse, admitindo que concorrentes maiores têm mais poder de barganha com fornecedores de insumos.

Para o ano que vem, a Algar prevê manter os investimentos no patamar de 2014, em R$ 400 milhões, apesar de ter uma visão mais conservadora para o ambiente de negócios de curto prazo com o início do novo governo. "O primeiro trimestre será de ajustes", declarou. "E pode ser que nossos clientes fiquem em compasso de espera para ver (como se comporta) a economia."

Respondem por parte desses investimentos os recursos destinados ao lote de frequência adquirido em setembro no leilão da faixa de 700 MHz da telefonia móvel de quarta geração (4G). Segundo Souza, a empresa investirá R$ 43 milhões nessa frequência.

Na época do leilão, analistas levantaram a hipótese de a Algar migrar para outros Estados, o que não ocorreu. Segundo o executivo, a empresa preferiu focar nos mercados em que já atua, podendo investir em novas redes de fibra óptica.

A empresa manterá as metas de entrada em novas cidades. Em 2014, a Algar passou a oferecer serviços a empresas em mais 40 cidades, elevando o total para 192.

Tudo o que sabemos sobre:
telefonia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.