Rene Moreira/Estadão
Rene Moreira/Estadão

Algar Telecom planeja aquisições para expandir atuação na fibra ótica

Segundo presidente da companhia, a incorporação de rivais é estudada para acelerar a expansão das redes próprias no interior do País; ele também confirma que a Algar estará no leilão de 5G do governo

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 10h00

Após deixar escapar a compra da Copel Telecom em leilão no fim do ano passado, a Algar Telecom continua com apetite por aquisições, afirma o presidente da companhia, Jean Carlos Borges, em entrevista ao Estadão/Broadcast. A potencial incorporação de rivais é estudada para acelerar a expansão das redes próprias de fibra ótica para oferta de banda larga no interior do País. Ao mesmo tempo, a estratégia também ajuda a fazer frente à concorrência cada vez maior no setor, com a chegada de novos investidores e a consolidação do mercado pelas empresas abertas.

Os chamados provedores regionais têm ganhado mercado ano a ano, e já respondem, juntos, por 41% do mercado de banda larga no Brasil, à frente de Claro (27,5%), Vivo (18%) e Oi (14%), de acordo com dados da Teleco. Há três anos, essas empresas menores tinham uma fatia de apenas 26% do todo.

"Vejo o crescimento dos provedores regionais de banda larga com muito entusiasmo. Essas empresas são uma alternativa muito boa para o cliente final, com a oferta de serviços similares aos dos grandes centros", afirma Borges.

Aí entra a oportunidade. Apesar desse avanço, ainda há muitas empresas de pequeno e médio porte no mercado, além de regiões não atendidas, o que abre espaço para investimentos tanto no crescimento orgânico das redes, quanto nas consolidações de mercado.

"Há um gap de ofertas no interior do País e alternativas que podem representar cases perfeitos para consolidação", observa o presidente da Algar. "Muitos operadores, junto de fundos de private equity, estão vislumbrando essa possibilidade. E nós temos estudado muito a sério o mercado", complementa.

Nos últimos anos, a Algar realizou três aquisições importantes para ampliar o alcance de sua rede: a da provedora Smart (Pernambuco) em 2019 por R$ 49,8 milhões; a Cemig Telecom (Goiás, Bahia, Pernambuco e Ceará) em 2018 por R$ 77,8 milhões; e a Optitel Redes (São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) em 2015 por R$ 56,5 milhões. "Temos usado um pouco mais essa estratégia de aquisições. Antes de sair construindo fibra ótica, verificamos se há condições locais de acelerar esse processo por meio da compra", explica o presidente.

A última aquisição que a Algar tentou fazer foi a Copel Telecom, mas a operadora ficou com o Fundo Bordeaux, ligado ao empresário Nelson Tanure, que deu lance de R$ 2,4 bilhões. A operadora mineira também chegou a estudar parceria com as empresas de fibra ótica lançadas por Oi e TIM, mas não chegou a fazer uma oferta firme por não ver sinergias suficientes no plano de negócios.

Para as próximas potenciais aquisições, os recursos virão, essencialmente, de tomada de dívida, mas um aporte dos sócios não é totalmente descartado, a depender do tamanho do cheque. A família Garcia é a fundadora e controladora da companhia, com 67% de participação, e tem como parceiro o GIC, fundo soberano de Cingapura, que em 2018 fez um aporte de R$ 1 bilhão em troca de 25% das ações da companhia.

O presidente executivo conta que não há perspectivas de alteração no controle da Algar, uma vez que a família "se vê operando pelos próximos 100 anos". "Mais que um investidor, eles adoram participar das operações, desde o atendimento ao cliente até os planos para um crescimento sustentável. E a parceria com o GIC é boa, atende a uma visão de longo prazo."

Aposta nas franquias

A Algar também está reforçando a aposta na expansão da fibra ótica por meio de franquias. A operadora inaugurou esse modelo no Brasil em 2017 - mais tarde, Vivo e Oi trilharam o mesmo caminho. Nesse tipo de negócio, o fraqueado implementa a rede e fornece equipe técnica, instalação e manutenção de serviços (fixo, internet, celular e TV), enquanto a Algar dá o suporte especializado no ramo.

A companhia atingiu 1,3 mil quilômetros de redes de fibra via franquias e outros 300 quilômetros estão em implementação. Com isso, chegou a 57 cidades de pequeno porte onde não estaria presente sozinha pela falta de escala. A maioria desses municípios têm cerca de 20 mil habitantes.

O plano agora é estender o modelo a todo o País, chegando a Estados fora da área de concessão. A rede da Algar passa por 1,1 mil cidades que, em tese, representam o potencial total desse movimento de expansão. "A franquia pode ser um veículo de crescimento e maior uso da infraestrutura já disponível, destravando valor para a companhia, acionistas, cidade e empreendedores locais", projeta Borges. Os primeiros testes estão sendo realizados em São José do Rio Preto, Sorocaba e São Carlos, as três no interior de São Paulo.

Leilão do 5G

O presidente da Algar confirma ainda que a companhia estará presente no leilão da internet móvel de quinta geração (5G). "A inovação é bastante presente no nosso dia a dia", enfatiza Borges.

Na sua avaliação, foi acertada a decisão do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de reservar lotes regionais de frequências para o certame, o que abre espaço para competição por parte de operadores de menor porte, e não apenas das companhias nacionais.

"Isso será importante para levar a tecnologia 5G para as cidades interioranas com maior rapidez e competitividade. Acho que o leilão vai surpreender, tem muitos players regionais com disposição e fôlego para participar", prevê.

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