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Algo muda no Brasil

Alguma coisa parece estar mudando no País, porque as instituições funcionam melhor do que antes

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2015 | 21h38

Não exija agora nem uma ordem lógica nem cronológica. Apenas junte fatos.

Está preso um dos empreiteiros mais notáveis do Brasil, Marcelo Odebrecht. Responde por acusações de corrupção ativa.

Executivos de outras empreiteiras, como Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Iesa, Mendes Júnior, OAS, Queiroz Galvão e UTC também enfrentam na Justiça acusações de corrupção.

Nesta sexta, a empreiteira Andrade Gutierrez admitiu ter dado propina e acertou com a Procuradoria-Geral da República acordo de leniência em que está obrigada a pagar R$ 1 bilhão em multa à União.

Um dos chamados “campeões nacionais”, o banqueiro André Esteves, presidente do Banco BTG Gradual, também foi preso na última quarta-feira, declaradamente por tentar embargar a ação da Justiça. Um dia antes, outro desses campeões nacionais contemplados com financiamentos suspeitos do BNDES, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo notório do ex-presidente Lula, foi detido pela Polícia Federal.

Estão presos o ex-ministro do governo Lula José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e três deputados federais. São investigados por graves desvios de recursos públicos. E há nas mesmas condições um punhado de ex-diretores da Petrobrás e o doleiro Alberto Youssef.

Pela primeira vez na história da República foi preso, em pleno exercício de suas funções, um senador “em flagrante de crime inafiançável”, também por tentativa de obstrução da ação da Justiça. Trata-se do senador Delcídio Amaral (PT-MS). Foi prisão determinada pelas autoridades que conduzem a Operação Lava Jato, com a autorização explícita de quatro juízes do Supremo e ratificada pelo Senado, em sessão extraordinária, por 59 votos a 13 e 1 abstenção, em votação aberta.

Desta vez, o PT não desfilou argumentos de que os juízes da Lava Jato vêm sendo precipitados, seletivos ou que agem sem provas, por pressão da imprensa burguesa, denuncista e inconsequente. Foi logo descartando a defesa do senador. Em nota oficial, o presidente do partido, Rui Falcão, declarou que “o PT não se julga obrigado a nenhum gesto de solidariedade (a Delcídio)”. Enquanto isso, o ex-presidente Lula preferiu dizer que o senador “fez coisa de imbecil”.

Afora isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua seriamente enroscado em denúncias comprovadas de que mantém recursos ilegais em contas bancárias na Suíça.

A presidente Dilma enfrenta graves acusações de que seu governo manipulou indevidamente verbas públicas. Seu mandato está atarantado, sem rumo e sem apoio. Nesta sexta, por falta de opção, fechou o cofre, sabe-se lá com que consequências econômicas e políticas.

Enfim, são apenas fatos. Faltam dezenas de outros para compor o todo. Mas parecem suficientes para concluir que alguma coisa parece estar mudando no Brasil. E é para melhor, porque as instituições funcionam melhor do que antes.

Ainda nesta sexta, em São Paulo, o juiz Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, assumiu como sua uma frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Neste momento de crise, ao menos estamos ouvindo nomes de juízes, e não de generais”.

CONFIRA:

O gráfico mostra a evolução do saldo do crédito do sistema financeiro.

Mais cortes

O mercado financeiro teve, nesta sexta-feira, um dia turbulento. A crise política, a apatia do Congresso e o agravamento da situação das contas públicas foram fatores que puxaram as cotações do dólar no câmbio interno em 2,3%. A decisão da presidente Dilma de cortar R$ 10 bilhões do Orçamento deste ano em verbas discricionárias é um jeito de pressionar o Congresso pela aprovação do ajuste. O problema é que a presidente Dilma vive um momento de grande fragilidade política.

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