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Algodão em SP tem qualidade e preço

Safra começou a ser colhida agora e produtores estão animados com alta produtividade da lavoura

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

Máquinas colhedoras começam a rasgar os campos de algodão maduro nas terras planas do sudoeste paulista. Nas cercanias da Cooperativa Agro Industrial Holambra, em Paranapanema, a pluma branca cobre os terrenos e contrasta com o marrom intenso das lavouras secas de soja e milho. A colheita se iniciou na semana passada, prometendo uma fibra de qualidade para a indústria têxtil e boa renda para o produtor. Há um bom tempo não se via uma conjugação de produtividade e preços tão positiva.

"É lavoura para dar 300 arrobas em caroço por hectare", diz o produtor Jacobus Derks, da Fazenda Amarela Velha, entre Paranapanema e Itapeva. Uma arroba equivale a 15 quilos. A colheita vai se estender até o fim do mês, abrangendo a área de 480 hectares cultivada nesta safra, o dobro do que Derks plantou na anterior.

Produção. Em todo o Estado de São Paulo, a atual safra de algodão atingiu 21 mil hectares, voltando ao nível que ostentava antes da redução de plantio causada pelos preços baixos. Espera-se uma produção próxima de 5 milhões de arrobas em caroço. Em 2010, os produtores paulistas colheram 1,6 milhão de arrobas numa área de 9.200 hectares. As regiões de Avaré, com 14.500 hectares plantados, e Itapeva, com 2,5 mil hectares, detêm 86% da produção estadual da fibra.

O conjunto de produtores ligados à Holambra está colhendo 12 mil hectares de algodão, o triplo da área plantada na safra passada. Desde a primeira semana de abril, as máquinas da unidade de beneficiamento da cooperativa não param de funcionar. A indústria tem capacidade para 6 mil toneladas de pluma por hora, mas na safra passada ficou ociosa. Este ano, os produtores fazem fila para beneficiar o algodão.

De acordo com o gerente industrial Renato Yassuda, a produtividade média está em torno de 290 arrobas por hectare, acima das 275 arrobas da safra anterior. Com o início da colheita em outras regiões, o preço da arroba, que chegou a R$ 132, recuou para R$ 126.

Venda antecipada. A cotação acima de R$ 120 já é considerada bastante vantajosa para o produtor. O problema é que a maioria dos produtores paulistas fez a venda antecipada do algodão por um preço mais baixo. É o caso de Derks: mais da metade da lavoura foi comercializada à média de R$ 70 a arroba. É que, na safra passada, o preço médio conseguido ficou bem abaixo, em R$ 45.

Com a previsão de que a demanda da fibra deve continuar aquecida nos próximos anos, ele espera aumentar o plantio na próxima safra.

O agricultor diz que o algodão é uma cultura cara e exigente. A lavoura só vai bem em solos de alta fertilidade e, para que a fibra mantenha a qualidade, é preciso investir em tecnologia. A colheita é 100% mecânica. Na região, o custo por hectare chega a R$ 5 mil. Além disso, como o ciclo é longo - entre a semeadura e a colheita decorrem sete meses -, muitos produtores optam por culturas de ciclo mais curto.

Derks também planta milho para semente e cevada, mas encaixa as lavouras num sistema favorável ao algodão, sua principal cultura. A qualidade compensa: o produto que sai da Fazenda Amarela Velha é do tipo exportação.

Recuperação

1,95 milhão de t é a safra do Brasil estimada pela Conab

21 mil hectares é a área plantada nesta safra no Estado

290 arrobas/ha é a produtividade média em SP

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